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terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Avanço e traição

Devido ao fato de que muitos dentre nós conhecem pouco da história do sedevacantismo, apresentamos o que Dom Williamson já escrevia sobre ele em 1984. As atitudes dos sedevacantistas são extremamente graves e os brasileiros têm obrigação de conhecê-las para resistirem aos lobos que querem invadir os apriscos do Cristo Rei e lhe roubar as almas. Mas os principais culpados são a Roma neomodernista e neoprotestante e o Concílio Vaticano II, como me lembrou Dom Williamson há poucos dias.
+ Dom Tomás de Aquino OSB

Avanço e Traição
5 de junho de 1984

Por Sua Excelência Reverendíssima
Dom Richard Nelson Williamson

Em maio, a visita do Arcebispo Lefebvre aos Estados Unidos desencadeou outra tremenda batalha entre Jesus Cristo e Satanás, seu eterno adversário! Desta batalha vieram boas e más notícias. Comecemos pelas boas!
Em primeiro lugar, a Fraternidade tem um novo padre americano, Pe. John Hogan de Michigan. Sua Excelência, o Arcebispo Lefebvre, de 78 anos, chegou da Europa no dia 10 de maio e deu a tonsura ou ordens menores a doze seminaristas no sábado pela manhã; em 12 de maio, crismou aproximadamente 50 crianças e adultos à tarde; e deu ordens maiores aos seminaristas mais antigos no domingo pela manhã, dia 13 de maio.
Foi uma bela cerimônia, diante de um altar-mor verdadeiramente impressionante, posto (bem a tempo!) por diversos dedicados seminaristas e leigos dentro da nova igreja. Do lado de fora, o sol luzia brilhantemente para dar as boas-vindas a cerca de 500 visitantes de todo os Estados Unidos e Canadá. Segundo vários comentários feitos pessoalmente, e também frequentemente por carta, muitos estavam profundamente impressionados e tocados pela majestade e beleza do catolicismo tradicional. Em uma de suas mais nobres cerimônias, a de ordenação sacerdotal, que festa para os olhos! Que elevação para a alma! Que esperança para o futuro!
O Superior Geral da Fraternidade, Pe. Franz Schmidberger, e o Superior do mais novo Distrito da Fraternidade, Pe. François Laisney, também estavam presentes como diácono e subdiácono da missa de ordenação, acompanhando o Arcebispo. Imediatamente após a cerimônia, ambos partiram para Michigan, onde eu gostaria que muitos dos nossos pudessem ter visitado nossa igreja, o santuário de São José, em Armada. Eles ficariam maravilhosamente edificados em ver doze padres, a maioria – mas não todos – da Fraternidade, fazendo um retiro em silêncio, por alguns dias, sob a direção do Pe. Schmidberger. Eles vieram de todas as partes dos Estados Unidos e Canadá, uniram-se humildemente em oração para buscar a Deus e prosseguir em comum o árduo trabalho de salvar almas. Que esperança para o futuro! Estes sacerdotes não estão lutando por si mesmos. Mais ainda, eles têm um pai no sacerdócio, um fiel e corajoso bispo da Igreja Católica Romana! O Arcebispo Lefebvre visitou-os no meio do retiro, depois de administrar a crisma numa capela não pertencente à Fraternidade em Pittsburgh, e estava pronto para falar longamente com cada um que quisesse vê-lo. Este é o retrato de um quadro católico atrativo e singular: o bispo entre seus sacerdotes, os sacerdotes ao redor de seu bispo.
De lá, o Arcebispo partiu para Minnesota, onde crismou aproximadamente 80 almas. Aqui, apesar de ter pintado um quadro sóbrio sobre a situação obscura em Roma, as pessoas se sentiam obviamente elevadas e tremendamente encorajadas por sua visita. Sua Excelência, então, partiu para St. Mary’s, Kansas, onde passou três felizes dias crismando, conversando com vários leigos que estavam auxiliando o Pe. de la Tour (o qual administra este importante estabelecimento educacional), e celebrando uma missa solene pontifical no sábado pela manhã. Uma pequena resenha está na publicação deste mês do The Angelus. Ele retornou a Nova Iorque para, dois dias após, voltar à Europa. Antes de partir, o Arcebispo disse que estava muito feliz com o espírito da Fraternidade, visto tê-la encontrado florescente no seminário, em St. Mary’s, e nos vários centros da Fraternidade que visitou.
Pe. Schmidberger, que chegou aos Estados Unidos no dia 10 de maio, passará um mês aqui até o dia 11 de junho, fazendo um longo e exaustivo tour por todo o país para se familiarizar diretamente com muitos dos empreendimentos da Fraternidade, o melhor método de construir sobre firmes alicerces a obra futura da Fraternidade neste país. Na metade de seu tour, ele está sendo acompanhado pelo novo superior na América, Pe. Laisney, cuja juventude, energia e inteligência prometem torná-lo uma grande aquisição para que a obra da Fraternidade nos Estados Unidos dê um passo importante a frente. Dos meados de junho em diante, é provável que ele permaneça (ao menos provisoriamente) em Dickinson, Texas, que se torna temporariamente um quartel-general para toda a Fraternidade nos Estados Unidos.
Por último – e talvez o mais importante –, Pe. Schmidberger está ansiosamente planejando estabelecer nos Estados Unidos um mosteiro para freiras que orem e se sacrifiquem, com a ajuda da Madre Marie-Christiane, atualmente a responsável por três carmelos florescentes na Europa ligados à Fraternidade São Pio X. Ele tem desejado ardentemente que ela venha aos Estados Unidos inspecionar dois possíveis locais para um quarto carmelo!
Madre Marie-Christiane, irmã de sangue do Arcebispo Lefebvre e freira carmelita há 56 anos, tem desejado, desde há um ano e meio, uma fundação nos Estados Unidos. A experiência direta de Pe. Schmidberger com a necessidade urgente de santas orações para atrair a graça de Deus sobre os Estados Unidos levou-o a apressar o anseio de longa data da irmã. Rezemos para que surta efeito!
Toda esta obra de construção e reconstrução por meio da Fraternidade é uma resistência ao demônio, a qual ele não iria deixar em paz. Sua reação não tardou!
Numa noite de domingo, no dia 20 de maio, quando o Arcebispo voltou ao seminário bem tarde da noite, vindo do Kansas, um tanto cansado pela viagem, mal ele pôs o pé para fora do carro, recebeu uma intimação para comparecer a um tribunal civil, num processo para expulsar a Fraternidade da propriedade do seminário aqui em Connecticut, processo esse aberto pelos padres Cekada, Dolan, Jenkins, Kelly e Sanborn. Os que estavam presentes notaram, e não se esquecerão jamais, o semblante de dor na face do Arcebispo que, é bom lembrar, era o pai no sacerdócio, destes padres. Até o momento, de acordo com o Antigo Código de Direito Canônico, qualquer um que citar civilmente [citar civilmente consiste levar em alguém diante de um juiz civil – NT] um bispo católico, antes de um julgamento canônico, incorre em excomunhão automática (1341). Então, de acordo com o único Código de Direito Canônico que eles mesmos [os padres que abriram o processo contra Dom Lefebvre – NT] reconhecem, estes cinco padres estão excomungados!
Alguns dias depois, eis um acontecimento que não surpreenderia nenhum católico familiarizado com a passagem do Evangelho sobre a traição a Nosso Senhor, mas que, não obstante, causou profundo choque, sofrimento e escândalo para muitos deles: dos quatro padres recém-ordenados, que livremente pediram e receberam a ordenação sacerdotal na Fraternidade Sacerdotal São Pio X pelas mãos de seu fundador, o Arcebispo Lefebvre, depois de, na véspera, livremente prestarem solene juramento de fidelidade a seus superiores, com as mãos postas sobre os Evangelhos, dois, na tempestuosa noite do dia 23 de maio, em meio a relâmpagos e chuva torrencial, saíram do seminário e se uniram a nove sacerdotes que haviam desertado no ano anterior e, dois dias depois, um terceiro, já ausente, anunciou que estava fazendo o mesmo. E era noite.
Alguns fatos ressaltarão a natureza deste ato. Primeiramente, agora sabemos que bem pouco tempo depois da deserção dos nove [sacerdotes] um ano atrás, estes três, de fato, disseram a alguém que eles tinham a intenção de mentir para alcançarem o sacerdócio. Certamente, depois de um ano inteiro, suas palavras e ações no seminário tinham o caráter de persuadir a todos, sacerdotes, seminaristas, e mesmo visitantes, de que eles seriam leais à Fraternidade. Eles viveram, por um ano inteiro, mentindo?
Em segundo lugar, na véspera de suas ordenações, de acordo com os requisitos necessários da Santa Madre Igreja, todos os três fizeram um solene Juramento de Fidelidade no altar de Deus, com suas mãos tocando os Evangelhos diante do Santíssimo Sacramento no tabernáculo aberto, jurando, entre outras coisas, que respeitosamente obedeceriam a seus superiores na Fraternidade São Pio X. O texto completo deste juramento e as assinaturas dos três acompanham esta carta.
As alterações feitas no texto por um deles sugerem que ele não estava à vontade; e, de fato, para fazer tal juramento, cada um deve ter encontrado, ou recebido de alguém, uma maneira de justificar ou tornar razoável, para si mesmos e para os outros, o que fizeram. Entretanto, em terceiro lugar, se diante de Deus cometeram perjúrio, terem recebido as ordens sacras em tal estado terá sido um grave sacrilégio.
Em quarto lugar, ao fim da cerimônia tradicional de ordenação, cada um colocou sua mão entre as mãos do Arcebispo, que lhes perguntou em latim “Prometes-me a mim e aos meus sucessores reverência e obediência?” Cada um respondeu claramente “Promitto”, que quer dizer “Eu prometo”.
Em quinto lugar, a ruptura (ao menos aparente), após dez dias, destas promessas e juramentos solenes, vista em conjunto com todas as outras circunstâncias da última deserção, causou e continuará a causar um terrível escândalo para os católicos, não somente àqueles ligados à Tradição, que sustentaram financeiramente e ajudaram os três [citados sacerdotes – NT], porque confiaram que eles seguiriam ao Arcebispo Lefebvre em defesa da Fé, mas também a muitos outros que ainda não se ligaram à Tradição e que erroneamente, mas de modo compreensível, dirão que se a Tradição fomenta este tipo de deslealdade, não querem nada com ela.
À guisa de comentário a estes fatos, cremos que três citações no momento sejam suficientes. No dia 27 de maio deste ano, Pe. Sanborn disse no púlpito em Traverse City, Michigan, “Estou muito contente em anunciar que três dos quatro sacerdotes, que foram ordenados pelo Arcebispo Lefebvre em 13 de maio, decidiram se juntar a nós. Isto me alegra porque os formei, e nem todos os frutos de meu trabalho como reitor do seminário foram perdidos.” (Pe. Sanborn compreendeu que frutos ele reivindica serem seus?)
No dia 28 de abril do ano passado, pouco tempo depois da separação entre a Fraternidade e os nove sacerdotes, o Arcebispo Lefebvre disse no seminário a todos os seminaristas, inclusive a estes três que desertaram há pouco tempo:
Espero que façam a escolha certa. Mas devem escolher, [pois] se concordam com a posição, a atitude e a orientação do Pe. Kelly, então sigam-no. Se pensam que Monsenhor Lefebvre está correto, então sigam a atitude de “Monseigneur” [Este é o modo de chamar Dom Lefebvre na língua francesa – NT] e da Fraternidade. Mas vocês devem ser claros… honestos. Não digam: Ficarei em silêncio até depois da minha ordenação. Isto é errado! Deus sabe! É uma mentira diante de Deus… não diante de mim. Eu não sou nada. Mas diante de Deus! Os senhores não podem fazer isso! Foi exatamente isto que o Pe. Dolan disse, “Eu soube ficar quieto até minha ordenação.” Não consigo compreendê-lo fazendo isso! Um futuro padre fazendo isto??
E no dia 30 de maio deste ano, um dos três últimos desertores, quando uma senhora censurou-o dizendo que um golpe como este que deram poderia ter matado o Arcebispo, replicou, “Ah, ele já está com 78 anos mesmo. Veja, sou grato a ele, porque sem ele eu não seria sacerdote”.
As pessoas podem se perguntar porque algo assim aconteceria dentro de um seminário, e se o mesmo não acontecerá novamente. A resposta é que Jesus viu as profundezas do coração do homem (João 6, 65-71), e mesmo assim preferiu permitir que um Apóstolo fosse infiel. Quanto aos sacerdotes de Jesus, só podemos perscrutar os corações humanos “tão longe quanto a fragilidade humana nos permita conhecer” (palavras do próprio rito de ordenação). Caso contrário, se chega a um ponto de desconfiança, no qual o serviço de Deus para de funcionar e um seminário católico já não consegue mais operar, porque a caridade “tudo crê e tudo espera” (I Cor. 13,7). Entretanto, estamos de olhos abertos, e um seminarista já foi convidado a se retirar, desde a deserção, pois, sob questionamento, ele confessou que compartilhava claramente o modo de pensar dos desertores.
Para fortificar sua fé, o seminário e o santuário St. Joseph, novamente neste verão, estão oferecendo alguns dias com os grandes Exercícios Espirituais de Santo Inácio. Aproveitem esta incomparável oportunidade para fortalecer sua vida espiritual, que é mais importante do que qualquer outra coisa. De nossa parte, com o auxílio de Deus, nem a Fraternidade nem o seminário sairão de seu curso, mas a despeito destas experiências, ou mesmo por causa delas, ambos prosperarão como a Deus aprouver. Nosso próximo projeto é a abertura de outra missão em Long Island, onde muitos católicos encontram-se em perigo.
Que a vontade santíssima e imperscrutável de Deus seja sempre adorada, e que sua Mãe Santíssima, a Virgem fidelíssima, um dia nos obtenha, nestes tempos infiéis, as graças da fidelidade e da lealdade!
Tradução do texto original em inglês (que se encontra abaixo) “Letters From the Rector of St. Thomas Aquinas Seminary”, Volume 1: The Ridgefield Letters (p. 31 to 38) 

domingo, 7 de junho de 2015

Fátima e a missão providencial da Rússia

Ícone russo de Nossa Senhora de Fátima

A consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, pedida pela Virgem em suas aparições aos pastorzinhos de Fátima, não deixa de ser um tema que produz controvérsias, negações e discussões. Cremos que não é um tema que ficou ancorado no passado, senão que, pelo contrário, cada dia se torna mais atual. Dizemos sim que é necessário colocar esta questão que inimigos encravados na igreja conciliar e, curiosamente os sedevacantistas que dizem opôr-se, desdenham e descartam.

Em sua terceira aparição em Fátima, em 13 de julho de 1917, a Santíssima Virgem, depois de ter mostrado a sorte que sofrem os condenados ao Inferno, lhes disse às três crianças pastores o seguinte:


"Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para salvá-las, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração.
Se fizerem o que eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz.
A guerra vai acabar. Mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite iluminada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá, de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome, e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para impedir isso, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração, e a Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz. Se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados. O Santo Padre terá muito que sofrer. Várias nações serão aniquiladas."

A relação entre a menção da Rússia na mensagem, e a Revolução bolchevique ocorrida pouco tempo depois nesse mesmo ano, foi clara e como tal a associação entre os males do comunismo ateu que a revolução pretendia expandir pelo mundo e a consagração da Rússia, evidente. A mensagem é muito clara a respeito.

No entanto, nessa aparição Nossa Senhora não pediu a consagração da Rússia a seu Imaculado Coração. Ali anunciou que voltaria a pedi-la. O fez apenas em 1929. Por quê? Quê relação há entre esse ano e o pedido da consagração? Se 1917 está marcado pela aparição de Fátima e a Revolução bolchevique, eventos que podem e devem relacionar-se, quê sentido pôde ter o que quis nos dar a conhecer o Céu com o pedido explícito da consagração da Rússia realizado em 1929?

Mas antes de introduzirmos esta questão, vejamos primeiro este pedido. Em 13 de Junho de 1929, estando a Irmã Lúcia de Fátima no noviciado das Irmãs Doroteas em Tuy, Espanha, foi testemunha de outra aparição de Nossa Senhora, que voltava para cumprir aquilo anunciado em 1917. Isto disse Nossa Senhora à Irmã Lúcia:

“É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os Bispos do mundo, a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio. São tantas as almas que a Justiça de Deus condena por pecados contra Mim cometidos, que venho pedir reparação: sacrifica-te por esta intenção e reze.”

Se sabe que a consagração da Rússia, tal como foi pedida por Nossa Senhora, nunca foi realizada. Houve consagrações do mundo, mas não a consagração exclusiva da Rússia pelo Papa em união com os Bispos do mundo.

Alguns crêem ou ensinam que esta consagração já não é necessária que se faça, pois Rússia já espalhou seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Então seria inútil realizá-la.

Isto é assim?

A conclusão de todo o Segredo de Fátima é:

"Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”.

Mas antes que isto ocorra, haverá um grande castigo para a Igreja e o mundo. Esse castigo, segundo a mensagem divina, teria sua origem na Rússia:

"Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas."

No entanto, as duas posturas contrárias à consagração da Rússia dão suas razões: os liberais, afiram que não é necessária pois na Rússia caiu o comunismo; alguns sedevacantistas, que Rússia já castigou o mundo espalhando o comunismo, então a consagração seria desnecessária. Para uns, então, já se haveria cumprido exitosamente com o pedido da Virgem; para outros, já veio o castigo, portanto tudo ficou no passado.

Talvez para entender melhor as implicações da mensagem, tem-se que pensar no seguinte: quê é que a Rússia espalhará pelo mundo? Quais são seus erros? A resposta parece óbvia: o comunismo. Mas, o que é o comunismo? Não uma ideologia, nem uma filosofia, nem um sistema econômico, nem uma forma de governo. É na verdade isto: "uma conspiração para a revolução". E esta revolução é a que leva até suas últimas consequências o ódio diabólico a Deus.

A definição dada do comunismo foi tomada de um dos documentos fundamentais para entender a revolução no mundo moderno, em especial a história dos últimos cem anos. Nos referimos ao "Interrogatório Rakovsky", também conhecido em sua edição espanhola como "Sinfonia em Vermelho maior" (documento que pode ler-se neste resumo ou completo aqui [ambos em espanhol]).

De quê se trata?

Em 1938, a polícia secreta soviética, NKVD, durante um dos expurgos de Stalin contra seus inimigos trotskistas, realizou um interrogatório com o agente maçom illuminati Christian Rakovsky, notável conspirador da primeira hora, sócio de Trotsky na revolução russa, e embaixador de Moscou em Paris. Rakovsky se despacha durante toda uma noite -sua vida estava em jogo- com revelações que nunca deveriam sair à luz, mas que por circunstâncias extraordinarias chegaram a conhecer-se. Este agente dos Rothschild explica por exemplo que "o objetivo da Revolução é nada menos o de redefinir a realidade em condições aos interesses dos banqueiros. Isto implica a promoção da verdade subjetiva sobre a verdade objetiva". Descobre que é o poder do dinheiro ("Imperialismo Internacional do Dinheiro" o chamou o Papa Pio XI) o que financiou as revoluções anti-cristãs e desde suas origens o Comunismo. A respeito à Revolução na Rússia, perdendo o controle sobre Stalin, o mesmo banco internacional que financiou a Revolução soviética financiou a Hitler, para opôr-se ao "bonapartista" tirano, que interrompeu a iminente mundialização da revolução que levava a cabo Trotsky, colocado fora de combate por uma doença mortal. Abriram assim o caminho à uma guerra em duas frentes, cujo objetivo final era expandir a revolução comunista a todo o mundo. Logo perderam o controle sobre Hitler, que começou a emitir seu próprio dinheiro contra os interesses do banco internacional, vendo-se obrigados a fazer uma frente aliada com Stalin. Duas datas são chaves neste processo revolucionário. Uma, 25 de outubro de 1927. A outra, o 24 de outubro de 1929.

Nas palavras do mesmo Rakovsky:

"Recordo aquela manhã do dia 24 de outubro de 1929. Um tempo chegará em que será para a História da Revolução um dia mais importante que o de outubro de 1917. O dia 24 é o crack da Bolsa de Nova York; princípio da chamada "depressão", autêntica Revolução.
Anote isto: neste ano de 1929, no primeiro ano da Revolução Americana, em fevereiro, saiu Trotsky da Rússia; o crack é em outubro... O financiamento de Hitler foi aprovado em julho de 1929. Crê que seja tudo casual? Os quatro anos de Hoover são os empregados em preparar a tomada do poder nos EUA e na URSS, ali, por meio da Revolução Financeira; aqui, pela guerra e derrotismo subseguinte..."

Se a revolução houvesse triunfado em 1917 na Rússia, foi em 1929 quando triunfou totalmente nos EUA e portanto começou a exitosa expansão mundial dos erros surgidos na Rússia. Apesar de que poderia pensar-se que já em 1913 com a fraudulenta fundação da Reserva Federal, a usura internacional revolucionaria havia vencido ao fazer-se com as molas econômicas do país, foi em 1929 quando o "americano clássico" caiu escravizado a Wall Street e sua moral esmagada.

Exatamente em meio desses dois feitos sucedidos nesse ano, a saída de Trotsky, agente Rothschild nos EUA, e o crack [da bolsa] de outubro, se produziu a aparição da Virgem em Tuy. Pouco tempo depois de seu pedido, os banqueiros aprovavam o financiamento a Hitler, preparando a guerra mundial.

Prestemos atenção também neste detalhe, que nos parece significativo: o interrogatório a Rakovsky realizou-se na noite de 25 a 26 de janeiro de 1938 (desde as 21 até as 3 horas no horário de Europa ocidental). Pode-se dizer que a entrevista começou ao finalizar a luz de advertência que havia anunciado Nossa Senhora que se veria no céu, como anuncio da próxima guerra!

Essa guerra a estava anunciando um agente illuminati nessa mesma noite. Era uma guerra impulsionada pela revolução comunista mundial, cujo braço estava em Moscou, mas cujo cérebro residia nos Estados Unidos da América (ainda que uns e outros países eram peões de judeus sionistas, recorda-se que na mesma semana em que se produziu a Revolução Soviética se concretou a "Declaração Balfour" em Londres, que abria as portas ao Sionismo para a ocupação futura da Palestina). Tudo isto permitido pela Providência para castigo dos homens rebeldes a Deus.

Se vinculamos, então, inevitavelmente o anuncio de 1917 com a revolução russa, podemos relacionar o pedido feito em 1929 com a outra revolução de 1929, ou, melhor dizendo, a outra etapa da mesma revolução. Isto é assim porque seus responsáveis foram os mesmos, com o único fim de acabar com todo o vestígio da Ordem Cristã e a Igreja Católica. Para chegar a isto deviam por um lado trabalhar clandestinamente ad intra na Igreja (triunfariam na Revolução de outubro do Concílio Vaticano II, recorde-se: começado em 11 de outubro, em 1962) e ad extra corrompendo e esmagando as sociedades herdeiras da ordem Romana da Cristandade.

Mas então, porque Nossa Senhora não pediu a consagração dos EUA e sim a da Rússia? Acaso não foi mais exitoso o modelo corruptor da impiedade anglo-americana-sionista, que o sistema formal do comunismo russo, reprimido a partir de 1989 com a queda do muro de Berlim?

A resposta é essa: Rússia tem uma missão providencial na história.

O universalismo é uma constante em sua história e ninguém pode negar que o comunismo cobra força ou se vale de uma país que não somente possui vocação imperial, senão que se sente chamado a realizar a "redenção" universal. Desde a época dos Czares os russos creram chamados a salvar a Europa. O czar Alexandre I combateu as doutrinas da Revolução Francesa. Em diversas ocasiões Rússia constituiu um muro defensivo para a Cristandade. "Nenhum outro povo tem sentido tão agudo e instintivo de não haver sido criado para este mundo", afirma o P. Alfredo Sáenz em sua obra "De la Rus' de Vladimir al 'Hombre nuevo' soviético". Vladimir Soloviev falou da missão histórica-religiosa da Rússia. "O caráter eminentemente religioso do povo russo, assim como a tendência mística que se mostra em nossa filosofia, nas letras e nas artes, parecem reservar à Rússia uma grande missão religiosa" (Rússia e a Igreja universal, ob. cit.) Afirmava também que a vocação peculiar da Rússia "constituía em levar a sua plenitude o inaugurado por Constantino e Carlos Magno" (cfr. ob. cit.). Também Dostoievsky  se ocupou de destacar a missão universal da Rússia. Por outra parte, a ameaça da Rússia sobre a Europa havia sido assinalada por Napoleão Bonaparte, pelo Marquês de Custine e por Donoso Cortés, entre outros. Sendo Rússia o maior país do mundo, e dotada de tal vontade totalitária, se compreende bem que dominado por uma religiosidade invertida e satânica, como o comunismo, poderia arrasar facilmente com a Europa. Muito mais se tem em conta que esta renegou sua identidade cristã. Dizia Louis Veuillot: "O mundo será socialista ou será cristão, não será liberal. Se o liberalismo não sucumbe ante o catolicismo, que é sua negação, sucumbirá ante o socialismo, que é sua consequência" (cit. em A. Sáenz, o. c.).

Disse em um artigo o escritor espanhol Juan Manuel de Prada: "Dostoievski resume o desígnio russo pela boca do asceta Paisius em Os Irmãos Karamazov: "Certas teorias afirmam que a Igreja deve converter-se, regenerando-se, em Estado, deixando-se absorver por ele, depois de ter cedido à ciência, ao espírito da época, à civilização. Se se nega a isto, somente terá um papel insignificante e fiscalizado dentro do Estado, que é o que ocorre na Europa de nossos dias. Pelo contrário, segundo as esperanças russas, não é a Igreja a que deve transformar-se em Estado, senão que é o Estado o que deve mostrar-se digno de ser unicamente uma Igreja e nada mais que uma Igreja". Dostoievski profetizou a revolução bolchevique, antecipando seu caráter radicalmente anticristão e desumano, como um castigo divino que caiu sobre a Rússia, para purificá-la; e profetizou também a regeneração do Ocidente, que só poderia alcançar-se através da Rússia. E assim, escreveu no Diário de um escritor: "A queda de vossa Europa é iminente [...] Todas essas doutrinas parlamentaristas, todas as teorias cívicas professadas hoje em dia, toda a riqueza acumulada, tudo isso será destruído em um instante e desaparecerá sem deixar rastro". Aos que estão indigestos tanto papo furado [N. T.: refere-se, por certo, ao consenso geral anti-russo da mídia ocidental] estas palavras de Dostoievski lhes parecerão elucubrações misticoides. Mas, para defender tais elucubrações muitos russos entregaram seu sangue no Gulag; e alguém que sobreviveu ao Gulag as continuou defendendo depois, como por exemplo Solzhenitsyn, que em O Carvalho e o Bezerro escreveu: "Enquanto ao Ocidente, não há esperança; e mais, nunca deveremos contar com ele. Se conseguimos a liberdade, somente a devemos a nós mesmos. Se o século XX comporta alguma lição para a humanidade, seremos nós quem a demos ao Ocidente, e não o Ocidente a nós: o excesso de bem-estar e uma atmosfera contaminante de sem-vergonhice lhe atrofiaram a vontade e o juízo". ("Por quê estamos com Rússia", abc.es).

Nos anos ainda comunistas, o P. Sáenz escrevia, tendo visitado a URSS: "O feito de que o marxismo seja uma religião cosmovisional, se bem invertida, nos faz esperar que uma vez que os soviéticos se convertam, conservarão esse sentido de totalidade, que nada tem a ver com o totalitarismo, e ao abraçar de novo a religião, desta vez a verdadeira, não a limitarão à sacristia senão que tentarão impregnar com ela a totalidade de suas atividades" (Ob. cit.). E cita estas palavras pouco difundidas do Bispo norte-americano Mons. Fulton Sheen:

"Quando Rússia receber o dom da fé, sua missão será a de um apóstolo para o resto do mundo. Convirá dar fé ao resto do mundo. Por quê temos tanta esperança na Rússia? Por quê será o meio de evangelizar as nações da terra? Porque Rússia tem fogo, Rússia tem zelo. Deus pôde fazer algo com o ódio de Saulo transformado-o em amor; pôde fazer algo com a paixão de Madalena convertendo-a em zelo; mas Deus não pode fazer nada com os que não são nem ardentes nem frios. A estes lhes vomitará de sua boca.

"A grande vergonha de nosso mundo, é que temos a verdade, mas não temos zelo. Os comunistas têm zelo, mas não têm a verdade. O comunismo é como o fogo que se difunde por si mesmo sobre todo o mundo; é quase um Pentecostes ao contrário. Algum dia, no lugar de inclinar-se até a terra esse fogo começará a queimar desde cima, ascendendo, ao genuíno modo de Pentecostes, dando aos homens alegria, vida e paz, no lugar do ódio, destruição e morte. Nosso mundo ocidental precisa desse fogo. Não há já profundos amores ou abnegadas entregas e consagrações às grandes causas... Somos frios, opacos, apáticos".

Por sua parte escreveu o alemão Walter Schubart em "Europa e a alma do oriente" (1938): "Hoje os cristãos ocidentais - os que são por rotina - falam com horror dos russos profundamente caídos, pensando ao mesmo tempo em sua própria superioridade. Apesar de tudo, eu digo: precisamente assim como é hoje, será Rússia para dar vida à nova fé. Tem que cair para subir, e tem que cair profundamente para subir mais alto. Dos abismos do mal e do tormento partem caminhos temerários que vão aos cumes da santidade. Esta é a psicologia cristã da culpa. Do mais desumano pode sair o mais elevado. Quando a maldade, no paroxismo do crime se reconhece a si mesma, passa de repente à vontade de regeneração. O cristianismo ocidental, cristão por costume, poderá ser justo e honrado, mas não fecundo. É um burguês - e os burgueses são estéreis -. Lhe falta a coroa de espinhos.  Não é no equilíbrio do mundo burguês, senão no meio dos trovões apocalípticos onde renascem as religiões." E em outra parte da mesma obra: "O Ocidente brindou à humanidade as formas mais estudadas da técnica, da organização estatal e das comunicações; mas lhe roubou a alma. Missão da Rússia é devolvê-la. Rússia possui precisamente as forças espirituais que a Europa perdeu ou destruiu. Rússia é um pedaço da Ásia e também um membro da comunidade cristã dos povos; nisto reside o peculiar e única de sua missão histórica. Somente Rússia reúne condições para infundir novamente alma à uma geração estragada pelo afã do poderio e ossificada no positivismo. [...] Parece uma afirmação atrevida, mas tenho que fazê-la com toda precisão: Rússia é o único país que pode redimir e que redimirá a Europa, porque, a respeito do conjunto do problema da vida, adota uma postura oposta a de todos os povos europeus. Precisamente do fundo de seu sofrimento sem precedentes atrairá um conhecimento mais profundo do homem e do sentido da vida, e o anunciará aos povos da terra. O russo tem para isto condições psíquicas que hoje em dia faltam a todos os povos ocidentais."

Hoje a Rússia está vivendo, através de uma etapa de transição post-comunista, um destacadíssimo redescobrimento de suas raízes religiosas e culturais tradicionais, afirmando-se na liderança de corte czarista de Vladimir Putin. Frente à degeneração abismal que ocupa ao ocidente apóstata e sodomita, Rússia parece encarnar aos valores cristãos por eles [Ocidente] abandonados, defendendo a ordem natural, a família e o sentido hierárquico de respeito à autoridade e às tradições. "Muitos países europeus se distanciaram de seus caminhos, incluindo nestes, os valores cristãos. As políticas ocidentais equiparam os valores tradicionais aos vícios, as famílias com uniões do mesmo sexo, a fé em Deus com a crença em Satanás... Esse é o caminho da degeneração". "Só Deus os julgará", afirmava Putin em um discurso em novembro de 2013.

O mundo ocidental post-cristão está configurando-se hoje contra a Rússia, porque vê ali sua antítese e seu "katéjon". Se este deve ser retirado para que se manifeste o Anticristo, e tanto Roma como a ordem romana foram vencidos - previamente socavados e corrompidos - pelos precursores do anticristo (liberalismo nas sociedades, modernismo na Igreja, imoralidade, degeneração, e satanismo generalizado), essa Nova Ordem Mundial ainda não pode levar-se a cabo, porque algo a impede. Essa ordem romana dos valores tradicionais cristãos - ainda que degradados e não submetidos à ortodoxia católica - subsistes hoje na Rússia, mas para poder resistir inteira e vitoriosamente deve produzir-se a conversão ao catolicismo deste país.

Voltando aos erros que espalharia Rússia, podemos ver que o que começou na Rússia, se transmitiu aos Estados Unidos, com o que o Céu nos advertiria que se por uma parte Rússia tem uma missão providencial em seus planos - servir de castigo pelos pecados do mundo e de feitora de paz e restauração quando de sua conversão -, por outra parte esses erros surgidos dali não seria exclusivos da Rússia, ainda que a difusão dos mesmos ou sua derrota sim dependa da conversão deste país. A demora em realizar esta consagração traria grandes castigos. Recordemos que a Ir. Lúcia recebeu uma comunicação íntima de Nosso Senhor, esta mensagem no ano de 1931:

"Participa aos Meus ministros que, dado seguirem o exemplo do rei de França na demora em executar o Meu mandato, tal como a ele aconteceu, assim o seguirão na aflição."

A referência era a Luis XIV, quem não realizou a consagração da França ao Sagrado Coração de Jesus pedida por Nosso Senhor a Sta. Margarida Maria de Alacoque, e mais tarde seu descendente Luis XVI (quem a faria no cárcere) foi destronado pela Revolução Francesa e decapitado em 1793.

Esse mesmo ano de 1931 foi a proclamação da Segunda República na Espanha, começando assim a queima de igrejas e conventos e a satânica perseguição anticatólica dos comunistas.

A revolução comunista orquestrada pelo poder mundial (que produziu as duas guerras mundiais) não pôde acabar com a religiosidade da Rússia mediante o ateísmo forçado. O intento posterior de querer implantar o revolucionário liberalismo ocidental através da queda do comunismo formal (intento levado a cabo por Mijail Gorbachov e Boris Yeltsin, agentes dos Illuminati nascidos ambos em 1931), tampouco deu resultados. E assim como em seu momento lhes surgiu um obstáculo chamado Stalin, agora o novo obstáculo se chama Putin, ainda que de um caráter oposto e portanto mais perigoso, porque não necessita do terror para governar seu país. Por isso não há outra opção que a guerra para quem busca erigir a Nova Ordem Mundial do Anticristo. Hoje as coisas se invertam e ainda que a maioria não o admita, a Revolução satânica está encarnada nos Estados Unidos com seus aliados sionistas, e o outrora chamado "ocidente cristão" mudou de hemisfério, instalando-se em Rússia.

Mas a salvação da Rússia também depende da consagração ao Coração Imaculado. Por isso a Santíssima Virgem disse à Ir. Lúcia:

“É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os Bispos do mundo, a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio. São tantas as almas que a Justiça de Deus condena por pecados contra Mim cometidos, que venho pedir reparação: sacrifica-te por esta intenção e reze.”

Isto é assim porque, segundo cremos, se não se realizar esta consagração a próxima guerra será devastadora para Rússia, erigindo-se sobre suas ruínas e as de toda a Cristandade o reinado do Anticristo. No entanto, a promessa do triunfo do Coração Imaculado sustêm nossa esperança. Assim disse Ir. Lúcia: "O santo padre fará a consagração, mas será tarde. E, no entanto, o Coração Imaculado de Maria salvará a Rússia. Lhe está confiada."

Dali a importância que tem esta devoção, que inclusive muitos que advertem os sintomas positivos na Rússia e sua reação ante a impiedade ocidental, não compreendem ou destacam. Por isso, como disse Mons. Richard Williamson: "Sem dúvida, não nos iludamos: a Ortodoxia russa unifica à religião e ao patriotismo numa mescla não totalmente reverente, e esta segue sendo cismática ao não aceitar a Supremacia Papal, e herética ao rejeitar alguns dogmas; portanto, os russos necessitam converter-se à verdadeiramente Universal Igreja Católica. Mas se Nossa Senhora de Fátima tem assinalado a seu país [a Rússia] para ser consagrado ao Seu Coração, não poderia ser não devido ao fato de que os russos ainda são comunistas perversos, mas sim porque os grandes sofrimentos que seu povo teve de suportar durante 70 babilônicos anos de cativeiro comunista os estão fazendo ressurgir das raízes religiosas da “Santa Rússia”, um renascimento de vitalidade espiritual que poderia salvar a verdadeira Igreja, no presente desvanecimento do Oeste, onde a Autoridade da Igreja ainda pode ter um grande número de seguidores, mas com pouquíssima fé, enquanto o resto que ainda permanece Tradicional tem a Fé verdadeira, mas muito pouco se contamos o número de seus seguidores e menos ainda se falamos de Autoridade? Deus bem sabe que a Igreja Ocidental também necessita converter-se!"

"Poderia ser então que a Rússia vá rechaçar este cerco em uma Terceira Guerra Mundial permitindo sua ocupação da Europa, o que levará por fim ao Papa Latino consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Nossa Senhora, como o tem pedido em vão por tanto tempo? Será que neste momento o renovado vigor religioso dos russos salvará nossa deteriorada Autoridade e Tradição Católica, cuja Verdade por sua vez limpará seus erros? Se acontecer assim, então novamente Deus terá “a todos encerrado na incredulidade, para que de todos tenha piedade... Quão incompreensíveis são Seus juízos, e quão insondáveis Seus caminhos... A Ele seja a glória por todo o sempre” (Rm. XI, 32...36). 

"Católicos, tanto os da corrente dominante como os da Tradição, rezem com todas as forças de seu coração pela Consagração da Rússia ao afligido e Imaculado Coração da Mãe de Deus, ou “Theotokos”, como é conhecida na Igreja Oriental." (Comentário Eleison Nº 112, 29 de agosto de 2009).

Fonte

segunda-feira, 16 de março de 2015

A Igreja falará: sagração de Pe. Faure


"Em 19 de março de 2015, festa de São José, Patrono da Igreja Católica, vendo ao incorrigível rumo tomado pela Neo-FSSPX em sua renúncia a continuar o combate pela integridade da Fé, considerando a pertinência liberal de Mons. Fellay e seus assistentes, e ante à destrutiva hostilidade de Francisco e a igreja conciliar contra a Tradição Católica, Mons. Williamson realizará um ato heroico de caridade, consagrando Bispo ao Revmo. Pe. Christian Jean-Michel Faure, talvez o homem que melhor conheceu e mais fiel foi a Mons. Lefebvre desde o início de seu combate."

Rezemos todos para que São José interceda sempre junto a Nosso Senhor, para que Ele possa guiar, iluminar e proteger sempre ao nosso novo Bispo.

Notícia motivo de muita alegria para todos nós católicos! Alegria singular para nós, fiéis de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este! Viva Cristo Rei! Viva Nossa Senhora de Guadalupe! Viva São José! Viva Nossa Santa Igreja Católica!


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Posições controversas? Entrevista com Dom Williamson


Esta entrevista é um dos resultados de quatro dias de conversação com o Bispo Richard Nelson Williamson quando era o reitor do Seminário da Fraternidade São Pio X, Nuestra Senora Corredentora, em La Reja, na Argentina.

Ao longo dos anos o Bispo Williamson explorou muitas questões relacionadas com a invasão da cultura anticatólica que nos rodeia. Muitos leram as cartas, mas poucos sabem muito sobre ele. 


P- Vossa Excelência, por que suas palavras dividem tanto as opiniões? 

R - Porque esse personagem Williamson é um dinossauro militante, não contente em ser extinto. Ele há muito tempo já chegou à conclusão de que o mundo moderno está muito errado. Mas o mundo moderno surgiu porque muitas pessoas acreditaram (e ainda acreditam) nele. Então, se ele se recusa a acreditar nele, não admira que haja um confronto. 

P - Eu admito que costumava ser muito difícil para mim ouvir o que o senhor tinha a dizer. Eu não podia suportar as suas ideias, Vossa Excelência, nos meus primeiros anos de Tradição. Mas quanto mais eu aprendi mais sobre a minha fé e sobre a crise, mais eu percebi que eu não estava vendo o quadro inteiro, como o senhor estava. 

A entrada da Wikipedia sobre Richard Williamson é uma verdadeira ladainha das posturas controversas de Williamson, com uma imagem encantadora de Julie Andrews em seu filme favorito. Deixe-me pedir breves relatos de suas ideias mais controversas: 

Mulheres e calças 

O Bispo de Castro Mayer disse que calças são piores nas mulheres do que as minissaias porque minissaias atacam apenas o homem inferior através da sensualidade, enquanto que as calças das mulheres atacam a parte superior do homem por perverter a própria ideia de mulher, colocando-a em roupas masculinas. 

Cada vez que uma mulher coloca uma saia ou calça ela reconhece em si mesma, consciente ou inconscientemente, a diferença entre as duas para sua psique. São as mulheres que me dizem isso. É lógico. 

Mulheres e Faculdade 

Universidades verdadeiras são para ideias. 
Meninas verdadeiras não são para ideias. 
Meninas verdadeiras não são para universidades verdadeiras. 

Isso levanta a questão, o que é verdadeiro para meninas? 

Ser mãe, seja física ou espiritual. Em seu sentido mais amplo e nobre. A maternidade é sagrada. É o futuro da humanidade. A Mãe de Deus é a glória do Catolicismo. 

Alegado antissemitismo 

Só um tolo é contra os judeus, simplesmente porque eles são judeus. Deve haver pouquíssimos diretores de seminários católicos tradicionais, que tenham convidado, como eu fiz uma vez, um rabino judeu para palestrar para seminaristas. Por outro lado, apenas um católico que não entende a sua fé não é contra os inimigos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eu sou contra judeus ou gentios, que são inimigos de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Maçonaria 

A Maçonaria é uma organização secreta que tem sido repetidamente condenada pelos Papas Católicos em seu juízo perfeito, porque desde o início ela foi projetada para subverter a Igreja Católica. Há alguns maçons, talvez haja muitos deles, que não sabem que este é o propósito profundo da Maçonaria, e que deixariam de ser maçons se soubessem. No entanto, os Papas Católicos sempre souberam disso. 

A Noviça Rebelde (The Sound of Music)

É subversivo. Por exemplo, Julie Andrews interpreta uma gatinha sexy que é uma irmã para filhas de seu marido, em vez de ser mãe, entre outras coisas. Em última análise, A Noviça Rebelde é uma apresentação falsa sobre maternidade, paternidade, família, autoridade, vida. Há mais, mas isso é suficiente. 

Tecnologia 

Em teoria, a tecnologia é um instrumento neutro aberto para ser usado para o bem ou para o mal, mas na prática, hoje em dia desempenha um papel enorme no materialismo do homem moderno, pois o homem moderno seria muito melhor espiritualmente, se ele não tivesse as tentações e distrações da tecnologia, especialmente dos eletrônicos. 

Diz-se que o dino-bispo Williamsorus Rex, é excessivamente pessimista. Uma das cartas do padre Le Roux do Seminário mencionou recentemente que não somos uma religião de pessimismo ou otimismo, porque a virtude da Esperança supera tais ideias transitórias. Então deixe-me enquadrar a próxima série de perguntas para o senhor nos dizer onde vê esperança, e onde precisamos melhorar. 

Famílias e Pais 

Sempre que há famílias com grande número de crianças, algo está dando certo, de acordo com o plano de Deus. Quanto mais as famílias se expõem à tradição católica, mais vemos famílias numerosas no mundo. 

No entanto, muitos pais mais jovens precisam pensar sobre o quanto mais eles precisam fazer a fim de garantir a salvação eterna de todos (leia-se: todos) os membros de sua família. 

Mães 

Quando eu costumava visitar os EUA, para a Crisma, eu via regularmente jovens mães com várias crianças pequenas. Estas mães eram, obviamente, femininas, felizes, e mulheres realizadas. 

No entanto, mais e mais moças precisam receber ajuda para perceber que a sua verdadeira felicidade está na maternidade, com todos os seus vínculos e obrigações. 

Adolescentes 

Existem poucos pais de família que dão suficiente bom exemplo de levar a sua religião a sério para evitar que os meninos se afastem da prática de sua religião, como muitos o fazem, quando chegam aos 13, 14, 15 anos de idade. 

No entanto, mais pais precisam manter os seus meninos longe de eletrônica ao lidar com o mundo real, em qualquer modo, tamanho ou forma. Além disso, os pais devem manter o difícil equilíbrio entre deixar seus meninos se contaminar pelo mundo e mantê-los em uma bolha de superproteção a qual os meninos são obrigados a estourar. Nenhum garoto digno desse nome quer viver na artificialidade, mesmo numa artificialidade piedosa. 

Escolas 

Nossa esperança aqui é a própria existência de escolas católicas tradicionais. É uma espécie de milagre que elas existam. 

No entanto, as escolas católicas de hoje devem manter o mesmo equilíbrio difícil como os pais, ou seja, entre superproteger as crianças do mundo de hoje e desprotegê-las, o que naturalmente causa danos incalculáveis ​​aos seres humanos em seus anos mais jovens e vulneráveis. Ninguém finge que é um equilíbrio fácil de manter. Uma fé forte é necessária. 

Paróquias 

Como a família é a unidade básica da natureza, a paróquia é a unidade básica do sobrenatural. É encorajador ver quase-paróquias crescerem ao redor da Verdadeira Missa, em todo o mundo. Mas estas quase-paróquias sofrem grandes dificuldades de distância, podendo apenas se encontrar no domingo, e assim por diante. Assim, o sacerdote que garante uma missa dominical sabe que deve fazer o que puder para construir uma família sobrenatural em torno da Missa 

Ambiente de trabalho 

Em primeiro lugar, os homens devem, na medida do possível, ficar de fora do ambiente de trabalho de hoje. E as mulheres devem ficar em casa, onde esses homens devem fomentar e amar a maternidade de suas esposas. 

Quanto aos homens, que devem estar no ambiente de trabalho de hoje, eles devem, pelo menos, perceber de quantas maneiras este ambiente é prejudicial ao seu bem-estar espiritual, e eles devem sabiamente agir da forma mais evasiva possível. 

Mais e mais mulheres estão querendo ficar em casa. Isso é definitivamente esperançoso. Mas para isso tanto o pai quanto a mãe devem desejar e amar crianças. Porque, sem filhos, a mãe é susceptível de ser insuficientemente empregada em casa, e insuficientemente respeitada para ficar em casa. 

Quanto aos homens, o desejo de fugir da cidade grande e moderna é certamente um sinal de sanidade. Se eles podem fazê-lo é outra questão. 

Modos de vida 

Muitos católicos tradicionais estão começando a ver a artificialidade radical da maneira suburbana [1] de vida. Isso é esperançoso. 

Em termos gerais, a grande cidade moderna e subúrbios são ambiente totalmente anticatólicos. Em termos gerais, quanto mais uma família puder se manter afastada dos eletrônicos e retornar à natureza, ou o campo, melhor. No entanto, um retorno ao campo e à vida do campo, que é muito mais saudável para as crianças, precisa ser bem pensado e planejado de antemão, se é para ter sucesso e não falhar em seu propósito. 

Um grande tema que o senhor fala muitas vezes é os “1950 ismos”. O senhor pode definir esse termo para os nossos leitores que não o conhecem? 

É o tipo de catolicismo a partir da década de 1950 que nos levou ao colapso conciliar do Vaticano II. A aparência de religião sem a substância. Um sentimentalismo farisaico. Uma dieta espiritual de balas e doces. Como tentar viver de doces. 

O antídoto é uma Fé forte que não quer fugir da realidade, a não ser para ir para o Céu. O Céu é real. Nenhum caminho irreal vai nos levar ao Céu real. 

O senhor, como eu, acredita que o 11 de setembro foi um trabalho interno. Por que é tão difícil para os católicos tradicionais até mesmo ter a mente aberta para ouvir essa possibilidade? E o que o senhor diz sobre a acusação de que deve manter a questões religiosas e deixar de colocar questões laicas, neste caso, o assassinato de 3.000 civis, para leigos? 

Bem, para responder a sua última pergunta, qualquer questão humana é essencialmente uma questão religiosa, e o 11 de setembro foi um trabalho tremendo feito nas mentes e vontades humanas. 

Para a primeira pergunta, eu responderia que o 11 de setembro causou uma grande mudança no pensamento mundial. Pessoas foram movidas numa direção globalista. Então, deve-se examinar em primeiro lugar se o 11 de setembro foi uma fraude global, e se foi, então deve-se examinar se é produtivo ou contraprodutivo dizer isso. 

No entanto, mesmo para começar a examinar os fatos, devemos divagar. Isto porque, para muitos queridos americanos, sua religião verdadeira é o seu governo. Para tais americanos, o 11 de setembro não pode ser uma fraude porque o seu governo maravilhoso não poderia fazer uma coisa dessas com eles! 

Mas como poderia um governo secular se transformar em religião de um povo? 

Porque os Estados Unidos estão unidos pela liberdade religiosa, o que significa que todas as religiões particulares contradizendo umas às outras não são sérias, nenhuma delas, deixando como fonte de unidade e da salvação da nação apenas seu governo secular. A liberdade religiosa é o porquê de muitos americanos tratarem o seu governo como a sua verdadeira religião, e por isso é claro que não podem lidar com a noção de o 11 de setembro ser uma fraude global. 

O famoso político conservador-liberal do século XVIII na Inglaterra, Edmund Burke, foi um caso semelhante? 

Sim, ele também queria glorificar uma revolução nacional, a chamada Revolução Gloriosa de 1688. Mais tarde, ele condenou a Revolução Francesa de 1789, mas o deslizar de um para o outro era inevitável, a menos que as almas se voltassem para o verdadeiro Deus, ou seja, para o Catolicismo. 

E o deslizar para o Anticristo é agora inevitável? Posso fazer alguma coisa para impedi-lo? 

Você e eu podemos abrandar o deslizar, permanecendo fiéis a Deus, mas pelas Escrituras, sabemos que o deslizar moderno termina com o Anticristo. O globalismo está em marcha. Mais rápido do que nunca. 

Voltando à ideia do campo, no sermão do Arcebispo [Lefebvre] por seu jubileu sacerdotal na Festa de São Pio X, de 1979, em Paris, ele é citado como dizendo (e aqui estou citando a biografia de Tissier de Mallerais, p. 513) que as famílias deveriam “fazer a escola em casa, se possível, e voltar para o campo, que é saudável, aproxima de Deus, equilibra temperamentos, e nos encoraja a trabalhar”. Algumas pessoas disseram que esta citação “é fora de contexto”, mas dada a forma que o Arcebispo favoreceu o ambiente rural em Êcone, alguém pode seriamente sustentar que o Arcebispo não defendia regressar ao campo sempre que possível? E em que contexto isso poderia ser colocado como tendo um significado diferente? 

Obviamente, o Arcebispo quis dizer o que disse. Inúmeros pensadores sérios, e não apenas católicos, têm entendido o quanto a grande cidade moderna é prejudicial para os seres humanos que vivem vidas humanas, quanto mais para chegar ao Céu. 

O Arcebispo está apenas dizendo o que é o senso comum para qualquer um que tenha pensado sobre o assunto. Mas é claro que é um tanto exigente de bom senso. É por isso que alguém pode inventar uma desculpa conveniente para sair dela, como dizer que a citação está “fora de contexto”. 

Em seguida ele diz “escola em casa quando possível”. Em uma entrevista com Bernard Janzen recentemente transcrita e publicada pela Angelus, o senhor foi citado como tendo dito que o ensino em casa é o segundo melhor. O senhor ainda se sente assim, e como pesa a sua resposta no contexto da citação do Arcebispo? 

É muito simples. Três, dois, um. 

O terceiro melhor ensino é o das escolas públicas corruptas em todos os lugares hoje. O segundo melhor é a pureza do ensino em casa [homeschooling].  O primeiro melhor ensino é o das boas escolas fora de casa, especialmente para os meninos. 

Mas o que dizer do custo dessas boas escolas (se não houver bolsas de estudo ou ajuda financeira disponível)? 

“A necessidade exige”, diz o provérbio. Se o papai não pode pagar por uma boa escola fora de casa, em seguida, a escola em casa torna-se a melhor opção. Infelizmente, boas escolas são sempre caras. 

E ainda mais em uma época sem muitas Irmãs e Irmãos ensinando... 

Verdade. No entanto, os católicos em eras passadas sempre fizeram sacrifícios enormes para a educação escolar de seus filhos, porque eles sempre souberam sua importância. 

“The Restoration of Christian Culture” [“A Restauração da Cultura Cristã”] é o título de um livro do falecido Dr. John Senior que soa como um desafio assustador. No entanto, alguns defendem que tudo o que é necessário é ir a Missa e para tentar converter as pessoas, em vez de “resolver os problemas do mundo”, por exemplo, voltar para o campo. Como o senhor responde, Excelência? 

A simples frequência a Missa obviamente não é o suficiente. 

Se um homem se vê no meio de um pântano, ele tem duas perguntas: 

1) Onde é que ele quer colocar o pé em seguida? 
2) Em que direção fica a terra seca?
Estas duas perguntas não são a mesma coisa. 
Praticidade imediata é uma coisa, o objetivo a longo prazo é outra. Talvez eu tenha que pisar imediatamente a sul, a fim de ir finalmente para o norte. 

O senhor chamaria tal catolicismo mínimo uma mentalidade de ‘cerco bunker’ [2]? 

As pessoas que só querem ir à missa e não fazem mais nada para catolicizar suas vidas não estão em uma mentalidade de ‘cerco bunker’, eu não acho que eles sequer sabem que estão sob cerco. 

Elas ainda não perceberam o quão perigosa tornou-se a situação moderna. E como o ambiente moderno é sempre anticatólico. 

Uma hora e meia no domingo não pode defender de 166,5 horas de ataque (24 horas por dia, 7 dias da semana - 1,5) . 

Falando de cercos e bunkers, Excelência, e esta crise do Líbano que eclodiu recentemente? 

Os israelenses fazer praticamente o eles querem, e o que eles querem não é justo. Se alguém quer dizer que é antissemita, que eles saibam que eu poderia muito bem ter dito a mesma coisa sobre os nazistas no início da 2ª Guerra Mundial, e os nazistas eram principalmente gentios. 

Pensamentos finais, meu senhor? 

Vigiai e orai, vigiai e orai, 
Quinze Mistérios, todos os dias!


Entrevista publicada em 2009.

Original aqui.

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Notas da tradutora:

[1] No texto o subúrbio é referente aos Estados Unidos. No Brasil a palavra subúrbio refere-se a bairros afastados do centro da cidade, mas não propriamente áreas projetadas para residências, como acontece nos EUA. Lá o subúrbio é uma área mais afastada do centro da cidade, mas com quase nada de comércio, bastante artificial, onde as pessoas terminam tendo que trabalhar muito para manter um padrão de vida mais elevado. Por exemplo, como é distante, é preciso ter dois carros e sendo assim todos os gastos aumentam, fazendo com que muitas vezes as mulheres tenham que trabalhar fora para ajudar com as despesas. No fim das contas desfavorece a família, e por isso também é ruim.

[2] “Bunker”- construção para proteger as pessoas de ataques de bombas, feitas geralmente em áreas subterrâneas.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

A Família ameaçada




Carta de janeiro de 1993

Por Bispo Richard Williamson

Traduzido por Andrea Patricia


Queridos Amigos,

É claro que família gira em torno da mãe. E então ao defender a mulher autêntica, por exemplo, abordando o uso de calças por mulheres, se está ainda defendendo a família. Mas ao invés de culpar, esta carta quer incentivar os jovens pais e mães.

Jovens – e menos jovens – pais e mães, não é tão fácil uma tarefa como a vossa, a de criar hoje uma família católica. Para medir a extensão do problema, você deve medir a corrupção do catolicismo, que remonta a mais de um século, e você não é responsável pelos contras, mas sim por resistir à Revolução em sua própria família quando você entende como isso funciona.

Em todos os lugares, onde o Protestantismo surgiu há 400 anos, ele fez desaparecer a Igreja Católica ou Corpo Místico de Cristo, e ele fez do homem não mais um membro desse corpo social divino, mas um indivíduo isolado diante de Deus. De lá vem o individualismo moderno. Além disso, o Protestantismo também “liberou” a consciência do homem da autoridade da Igreja docente e dirigente (Mat. 28,19-20), deixando-o “livre”; é daí que vem o liberalismo moderno. Perto do final do século XX, mesmo naquelas partes do mundo onde o Protestantismo não havia prevalecido no início, o liberalismo individualista que ele criou penetrou profundamente, por exemplo, até mesmo dentro da Igreja Católica no Vaticano II. Então o mundo moderno está completamente imerso nas ideias protestantes: cada homem é livre, cada um por si, somos todos iguais na sociedade.

Mas estas ideias são profundamente antissociais. Assim, toda a sociedade moderna entra em colapso. Mas a família é uma pequena sociedade. Também a família moderna entra em colapso.

Para ilustrar como ele arruinou as coisas, vejamos o espetáculo que se apresenta hoje nos aeroportos, um pai com sua esposa e um ou dois filhos. Ele se veste, se comporta e está fazendo todo o possível para parecer com um “cavaleiro solitário”! Pobre família! Observa-se que sua esposa e filho ou filhos são naturalmente atraídos a ele, sob sua dependência natural; e depois por sua segunda natureza, o individualismo que o impregna desde o berço, os repele. No entanto, a dois pode-se jogar este jogo de independência. Então, vemos frequentemente a mulher, com seu filho único ou dois, tentando evitar depender dele. Então é só uma questão de tempo para que todos saiam do seu lado.

Visto que o casamento como foi projetado por Deus é um compromisso, as crianças são uma restrição; uma família é composta de laços, de restrições. Mas a “liberdade” ao contrário significa ausência de restrições: sem cordões, sem laços, sem apegos, sem afeições.

Assim, a “liberdade” destruiu a família.

A família como foi concebida por Deus é uma pequena sociedade hierárquica, com o pai na liderança, as crianças dependendo do pai e da mãe, e os servos depois deles (Ef. 5, 22 – 5, 19, incluindo a epístola da missa de casamento católico; ver Col. 3,18 a 4,21). Mas “igualdade” significa o desaparecimento de toda superioridade, de qualquer posição ou cargo.

Assim, a “igualdade” destruiu a família.

Mais uma vez, a família, como foi projetada por Deus, é uma pequena sociedade ou entidade social, na qual cada membro tem um papel distinto e complementar dos outros, até mesmo crianças mongoloides! Mas o individualismo significa independência – não interdependência -, seres humanos solitários. Assim, o individualismo destruiu a família.

Com efeito, é preciso saber o que queremos:

Ou o mundo moderno continua a glorificar a liberdade, a igualdade, o individualismo, a rebelião contra a autoridade, “cada um viva por si mesmo como lhe aprouver”, caso em que a família é prejudicada; ou o mundo procura defender a família, caso em que ele deveria parar de apresentar de forma atraente as ideias antissociais. Ele não pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Ele não pode, ao mesmo tempo, “ficar com a manteiga e ganhar dinheiro com a manteiga” [a]. Ele não pode amar o liberalismo e a família. Um dos dois deve desaparecer. Hoje, é a família que desaparece. Os liberais razoáveis, com as melhores intenções, estão, apesar disso, no comboio da destruição. A estrada para o inferno está pavimentada com boas intenções – e de ideias falsas.

Caros pais e mães! Vocês tem alguma simpatia secreta pelo rebelde solitário que enfrenta a autoridade e que sem qualquer ajuda garante o triunfo contra ela, a verdade e o bem? Este é o herói de quase todos os filmes modernos. Cuidado! Sob este sistema de valores está incubada a destruição de sua família. É a desagregação familiar, deixando a porta aberta a uma cascata de males, que destrói os seres humanos: divórcio, contracepção, pornografia, aborto, eutanásia, precisamos enfatizar?

A jovem mãe que me escreveu para me apresentar seu caso: há mais de 15 anos você se tornou uma católica da tradição, tendo crescido nos anos 60, 70, foi um pouco doutrinada, você me disse, pelo movimento de libertação da mulher. Você passou pela universidade, tornou-se educadora, até mesmo trabalhou no Capitólio, e se tornou “capaz de grandes coisas”, encontrando exaltação e satisfação ao lado de seus colegas de trabalho. Então você se casou, decidiu ouvir seus sacerdotes, ficou em casa com as crianças, entre as quais há agora dois adolescentes. Na época, havia montes de coisas para limpar todos os dias, e todos os problemas trazidos sobre uma família, por exemplo, a necessidade alguns anos atrás de encontrar uma educação católica para os seus filhos, levou você a viajar duas horas por dia durante três deles enquanto você educava em casa outros dois e cuidava de um bebê. “Foi uma loucura!” você me disse.

Não tão louco, jovem mãe! O que você aspirava na Colina do Capitólio? Combater a pornografia? Eu lhe asseguro, se o seu afeto e pureza da mãe estão no coração de seus filhos, você fez mais para imunizar o seu interior do que todos esses legisladores nunca poderão fazer para proteger o seu exterior. Você sonhou em se envolver na interessante luta contra o aborto? Eu lhe asseguro, se você tiver metade da Fé sobrenatural em primeiro lugar e ficou em casa para criar uma grande família nesta Fé, você terá mais nos corações de suas filhas para lutar contra o aborto, do que se você e elas tivessem participado de inúmeras marchas, campanhas e manifestações. Sem mencionar que ao pregar pelo exemplo, você fez muito mais do que faria carregando cartazes!

Mãe, pode ser que você não pense assim no momento, mas você escolheu a melhor parte. Espere só sentir como o ninho estará vazio quando os “pássaros” tiverem voado! Você pode esperar? Venha me ver daqui a vinte anos! Enquanto isso, que Deus a abençoe e que você possa ter todo o apoio de que precisa, porque a mão que balança o berço governa o mundo; porque o coração da mãe é a primeiríssima sala de aula das crianças; porque só você pode colocar no coração e na alma de suas crianças a construção ou a demolição da sociedade para todos nós amanhã.

Maridos: apoiem as mães que criam seus filhos! Avós: estejam à altura da tarefa, seus netos precisam de vocês. Amigos da mesma paróquia: ajudem com a pilha de roupa para lavar, pois um pequeno gesto pode ter um grande alcance! Católicos: lembremos que o mundo inteiro depende de nós! E jovens mães não parem de trazer luz ao seu ninho, e que Deus as abençoe. Vivam por vossa fé católica, e vocês irão construir sobre a rocha, e nenhum vento e nenhuma inundação poderão prejudicá-los.

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Traduzido de: Monseigneur Williamson. Feminisme et Pantalon. Paroles D’Evêques. Septembre 1991-Janvier 1994. ISBN 2-908758-01-6.

D. Williamson é Bispo da FSSPX.

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Notas da tradutora:

*Ganhei esse livreto com quatro cartas de D. Williamson discorrendo sobre a modéstia feminina, especialmente sobre a mulher e o problema da calça, em português: Feminismo e Calça. A primeira das cartas, a de setembro de 1991, já tinha sido traduzida por mim a partir do texto em inglês do blog “Filipino Flavour”. Veja: Carta 1, Carta 2, Carta 3.

[a] « avoir le beurre et l’argent du beurre » : expressão francesa que significa que você não pode ter algo para si e ganhar dinheiro com a venda dele ao mesmo tempo. Ou você fica com a manteiga ou você a vende para obter dinheiro, não se pode ter as duas coisas ao mesmo tempo.