Assoc. Fronteira Católica

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Exame de consciência


"Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio. . . Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados; e a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos." (João 20:21-23)
"Mesmo que os teus pecados sejam como escarlate, ficarão brancos como neve." (Isaías 1:18)
"Não vim chamar os justos, mas os pecadores." (Mateus 9:13)
"Os homens receberam de Deus um poder que não foi dado aos anjos nem aos arcanjos. Nunca foi dito aos espíritos celestes, ‘O que ligardes e desligardes na terra será ligado e desligado no céu’. Os príncipes deste mundo só podem ligar e desligar o corpo. O poder do sacerdote vai mais além; alcança a alma, e exerce-se não só em baptizar, mas ainda mais em perdoar os pecados. Não coremos, pois, ao confessar as nossas faltas. Quem se envergonhar de revelar os seus pecados a um homem, e não os confessar, será envergonhado no Dia do Juízo na presença de todo o Universo." (S. João Crisóstomo, Tratado sobre os Sacerdotes, Liv. 3)
        Oração para antes da Confissão: Senhor, iluminai-me para me ver a mim próprio tal como Vós me vedes, e dai-me a graça de me arrepender verdadeira e efectivamente dos meus pecados. O Virgem Santíssima, ajudai-me a fazer uma boa confissão.
       Como se Confessar: Antes de mais, examine bem a sua consciência. Em seguida, diga ao sacerdote que pecados específicos cometeu, e, com a maior exactidão possível, quantas vezes os cometeu desde a sua última boa confissão. Só é obrigado a confessar os pecados mortais, visto que pode obter o perdão dos seus pecados veniais através de sacrifícios e actos de caridade. Se estiver em dúvida sobre se um pecado é mortal ou venial, mencione ao confessor a sua dúvida. Recorde-se, também, que a confissão dos pecados veniais ajuda muito a evitar o pecado e a avançar na direcção do Céu.
Condições necessárias para um pecado ser mortal:
  1. Matéria séria
  2. Reflexão suficiente
  3. Pleno consentimento da vontade
Considerações preliminares:
  1. Alguma vez deixei de confessar um pecado grave, ou conscientement disfarcei ou escondi um tal pecado?
    Nota: Esconder deliberadamente um pecado mortal invalida a confissão, e é igualmente pecado mortal. Lembre-se que a confissão é privada e sujeita ao Sigilo da Confissão, o que quer dizer que é pecado mortal um sacerdote revelar a quem quer que seja a matéria de uma confissão.
  2. Alguma vez fui irreverente para com este Sacramento, não examinando a minha consciência com o devido cuidado?
  3. Alguma vez deixei de cumprir a penitência que o sacerdote me impôs?
  4. Tenho quaisquer hábitos de pecado grave que deva confessar logo no início (por exemplo, impureza, alcoolismo, etc.)?
Primeiro Mandamento: Eu sou o Senhor teu Deus, Não terás deuses estranhos perante Mim (incluindo pecados contra a Fé, Esperança e Caridade).
  1. Descuidei o conhecimento da minha fé, tal como o Catecismo a ensina, tal como o Credo dos Apóstolos, os Dez Mandamentos, os Sete Sacramentos, o Pai Nosso, etc?
  2. Alguma vez duvidei deliberadamente de algum ensinamento da Igreja, ou o neguei?
  3. Tomei parte num acto de culto não católico?
  4. Sou membro de alguma organização religiosa não católica, de alguma sociedade secreta ou de um grupo anti-católico?
  5. Alguma vez li, com consciência do que fazia, alguma literatura herética, blasfema ou anti-católica?
  6. Pratiquei alguma superstição (tal como horóscopos, adivinhação, tábua Ouija, etc.)?
  7. Omiti algum dever ou prática religiosa por respeitos humanos?
  8. Recomendo-me a Deus diàriamente?
  9. Tenho rezado fielmente as minhas orações diárias?
  10. Abusei os Sacramentos de alguma maneira? Recebi-os com irreverência?
  11. Trocei de Deus, de Nossa Senhora, dos Santos, da Igreja, dos Sacramentos, ou de quaisquer coisas santas?
  12. Fui culpado de grande irreverência na igreja, como, por exemplo, em conversas, comportamento ou modo como estava vestido?
  13. Fui indiferente quanto à minha Fé Católica — acreditando que uma pessoa pode salvar-se em qualquer religião, ou que todas as religiões são iguais?
  14. Presumi em qualquer altura que tinha garantida a misericórdia de Deus?
  15. Desesperei da misericórdia de Deus?
  16. Detestei a Deus?
  17. Dei demasiada importância a alguma criatura, actividade, objecto ou opinião?
Segundo Mandamento: Não tomarás o Nome do Senhor teu Deus em vão.
  1. Jurei pelo nome de Deus falsamente, impensadamente, ou em assuntos triviais e sem importância?
  2. Murmurei ou queixei-me contra Deus (blasfêmia)?
  3. Amaldiçoei-me a mim próprio, ou a outra pessoa ou criatura?
  4. Provoquei alguém à ira, para o fazer praguejar ou blasfemar a Deus?
  5. Quebrei uma promessa feita a Deus?
Terceiro Mandamento: Recorda-te de santificar o Dia de Sábado.
  1. Faltei à Missa nos Domingos ou Festas de guarda?
  2. Cheguei atrasado à Missa nos Domingos e Dias Santos de guarda, ou saí mais cedo por minha culpa?
  3. Fiz com que outras pessoas faltassem à Missa nos Domingos e Dias Santos de guarda, ou saíssem mais cedo, ou chegassem atrasados à Missa?
  4. Estive distraído propositadamente durante a Missa?
  5. Fiz ou mandei fazer trabalho servil desnecessário num Domingo ou Festa de guarda?
  6. Comprei ou vendi coisas sem necessidade nos Domingos e Dias Santos de guarda?
Quarto Mandamento: Honra o teu pai e a tua mãe.
  1. Desobedeci aos meus pais, faltei-lhes ao respeito, descuidei-me em ajudá-los nas suas necessidades ou na compilação do seu testamento, ou recusei-me a fazê-lo?
  2. Mostrei irreverência em relação a pessoas em posições de autoridade?
  3. Insultei ou disse mal de sacerdotes ou de outras pessoas consagradas a Deus?
  4. Tive menos reverência para com pessoas de idade?
  5. Tratei mal a minha esposa ou os meus filhos?
  6. Foi desobediente ao meu marido, ou faltei-lhe ao respeito?
  7. Sobre os meus filhos:

Descuidei as suas necessidades materiais?
Não tratei de os fazer baptizar cedo? *(Veja-se em baixo.)
Descuidei a sua educação religiosa correcta?
Permiti que eles descuidassem os seus deveres religiosos?
Consenti que se encontrassem ou namorassem sem haver hipótese de se celebrar o matrimónio num futuro próximo? (Santo Afonso propõe um ano, no máximo).
Deixei de vigiar as companhias com quem andam?
Deixei de os disciplinar quando necessitassem de tal?
Dei-lhes mau exemplo?
Escandalizei-os, discutindo com o meu cônjuge em frente deles?
Escandalizei-os ao dizer imprecações e obscenidades à sua frente?
Guardei modéstia na minha casa?
Permiti-lhes que usassem roupa imodesta (mini-saias; calças justas, vestidos ou camisolas justos; blusas transparentes; calções muito curtos; fatos de banho reveladores; etc.)? †
Neguei-lhes a liberdade de casar ou seguir uma vocação religiosa?

As crianças devem ser baptizadas o mais cedo possível. Além das prescrições diocesanas particulares, parece ser a opinião geral . . . que uma criança deve ser baptizada cerca de uma semana ou dez dias a seguir ao nascimento. Muitos católicos atrasam o baptismo por quinze dias ou um pouco mais. A ideia de administrar o Baptismo nos três dias que se seguem ao parto é demasiado estrita. Santo Afonso, seguindo a opinião geral, pensava que um atraso não justificado de mais de dez ou onze dias a seguir ao parto seria um pecado grave. Segundo o costume moderno, que é conhecido e não corrigido pelos Ordinários locais, um atraso de mais de um mês sem motivo seria um pecado grave. Se não houve perigo aparente para a criança, os pais que atrasem o baptismo por três semanas, pouco mais ou menos, não podem ser acusadas de pecado grave, mas a prática de baptizar o recém-nascido na semana ou dez dias que se seguem ao parto deve recomendar-se firmemente; e, de facto, pode mesmo recomendar-se um período ainda mais curto. — H. Davis S.J., Moral and Pastoral Theology, Vol. III, pg. 65, Sheed and Ward, New York, 1935
†Peça o folheto MODÉSTIA NO VESTUÁRIO
Quinto Mandamento: Não matarás.
  1. Procurei, desejei ou apressei a morte ou o ferimento de alguém?
  2. Alimentei ódio para com alguém?
  3. Oprimi alguém?
  4. Desejei vingar-me?
  5. Provoquei a inimizade entre outras pessoas?
  6. Discuti ou lutei com alguém?
  7. Desejei mal a alguém?
  8. Quis ferir ou maltratar alguém, ou tentei fazê-lo?
  9. Recuso-me a falar com alguém, ou ressentimento de alguém?
  10. Regozijei-me com a desgraça alheia?
  11. Tive ciúmes ou inveja de alguém?
  12. Fiz ou tentei fazer um aborto, ou aconselhei alguém a que o fizesse?
  13. Mutilei o meu corpo desnecessàriamente de alguma maneira?
  14. Consenti em pensamentos de suicídio, desejei suicidar-me ou tentar suicidar-me?
  15. Embriaguei-me ou usei drogas ilícitas?
  16. Comi demais, ou não como o suficiente por descuido (isto é, alimentos nutritivos)?
  17. Deixei de corrigir alguém dentro das normas da caridade?
  18. Causei dano à alma de alguém, especialmente crianças, dando escândalo através de mau exemplo?
  19. Fiz mal à minha alma, expondo-a intencionalmente e sem necessidade a tentações, como maus programas de TV, música reprovável, praias, etc.?
Sexto e Nono Mandamentos: Não cometerás adultério. Não cobiçarás a mulher do próximo.
  1. Neguei ao meu cônjuge os seus direitos matrimoniais?
  2. Pratiquei o controlo de natalidade (com pílulas, dispositivos, interrupção)?
  3. Abusei dos meus direitos matrimoniais de algum outro modo?
  4. Cometi adultério ou fornicação (sexo pré-marital)?
  5. Cometi algum pecado impuro contra a natureza (homosexualidade ou lesbianismo, etc.)?
  6. Toquei ou abracei outra pessoa de forma impura?
  7. Troquei beijos prolongados ou apaixonados?
  8. Pratiquei a troca prolongada de carícias?
  9. Pequei impuramente contra mim próprio (masturbação)?
  10. Consenti em pensamentos impuros, ou tive prazer neles?
  11. Consenti em desejos impuros para com alguém, ou desejei conscientemente ver ou fazer alguma coisa impura?
  12. Entreguei-me conscientemente a prazeres sexuais, completos ou incompletos?
  13. Fui ocasião de pecado para os outros, por usar roupa justa, reveladora ou imodesta?
  14. Fiz alguma coisa, deliberadamente ou por descuido, que provocasse pensamentos ou desejos impuros noutra pessoa?
  15. Li livros indecentes ou vi figuras obscenas?
  16. Vi filmes ou programas de televisão sugestivos, ou pornografia na Internet, ou permiti que os meus filhos os vissem?
  17. Usei linguagem indecente ou contei histórias indecentes?
  18. Ouvi tais histórias de boa vontade?
  19. Gabei-me dos meus pecados, ou deleitei-me em recordar pecados antigos?
  20. Estive com companhias indecentes?
  21. Consenti em olhares impuros?
  22. Deixei de controlar a minha imaginação?
  23. Rezei imediatamente, para afastar maus pensamentos e tentações?
  24. Evitei a preguiça, a gula, a ociosidade, e as ocasiões de impureza?
  25. Fui a bailes imodestos ou peças de teatro indecentes?
  26. Fiquei sozinho sem necessidade na companhia de alguém do sexo oposto?
Note bemNão tenha receio de confessar ao sacerdote qualquer pecado impuro que tenha cometido. Não esconda ou tente disfarçá-lo. O sacerdote está ali para o ajudar e perdoar. Nada do que possa dizer o escandalizará; por isso, não tenha medo, por mais envergonhado que esteja.
Sétimo e Décimo Mandamentos: Não roubarás. Não cobiçarás os bens do teu próximo.
  1. Roubei alguma coisa? O quê, ou quanto?
  2. Danifiquei a propriedade de outrem?
  3. Deixei estragar, por negligência, a propriedade de outrem?
  4. Fui negligente na guarda do dinheiro ou bens de outrem?
  5. Fiz batota ou defraudei alguém?
  6. Joguei em excesso?
  7. Recusei-me a pagar alguma dívida, ou descuidei-me no seu pagamento?
  8. Adquiri alguma coisa que sabia ter sido roubada?
  9. Deixei de restituir alguma coisa emprestada?
  10. Lesei o meu patrão, não trabalhando como se esperava de mim?
  11. Fui desonesto com o salário dos meus empregados?
  12. Recusei-me a ajudar alguém que precisasse urgentemente de ajuda, ou descuidei-me a fazê-lo?
  13. Deixei de restituir o que roubei, ou obtive por embusted ou fraude?(Pergunte ao sacerdote como poderá fazer a restituição, ou seja, devolver ao legítimo dono o que lhe tirou).
  14. Tive inveja de alguém, por ter algo que eu não tenho?
  15. Invejei os bens de alguém?
  16. Tenho sido avarento?
  17. Tenho sido cúpido e invejoso, dando demasiada importância aos bens e confortos materiais? O meu coração inclina-se para as posses terrenas ou para os verdadeiros tesouros do Céu?
Oitavo Mandamento: Não levantarás falsos testemunhos contra o teu próximo.
  1. Menti a respeito de alguém (calúnia)?
  2. As minhas mentiras causaram a alguém danos materiais ou espirituais?
  3. Fiz julgamentos temerários a respeito de alguém (isto é, acreditei firmemente, sem provas suficientes, que eram culpados de algum defeito moral ou crime)?
  4. Atingi o bom nome de alguém, revelando faltas autênticas mas ocultas (maledicência)?
  5. Revelei os pecados de outra pessoa?
  6. Fui culpado de fazer intrigas (isto é, de contar alguma coisa desfavorável que alguém disse de outra pessoa, para criar inimizade entre eles)?
  7. Dei crédito ou apoio à divulgação de escândalos sobre o meu próximo?
  8. Jurei falso ou assinei documentos falsos?
  9. Sou crítico ou negativo sem necessidade ou falto à caridade nas minhas conversas?
  10. Lisonjeei outras pessoas?
As obras de Misericórdia espirituais e corporais

Descuidei-me no cumprimento das obras seguintes, quando as circunstâncias mo pediam?
As sete obras de Misericórdia espirituais
1. Dar bom conselho aos que pecam. 2. Ensinar os ignorantes. 3. Aconselhar os que duvidam. 4. Consolar os tristes. 5. Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo. 6. Perdoar as injúrias por amor de Deus. 7. Rogar a Deus pelos vivos e pelos defuntos.
As sete obras de Misericórdia corporais
1. Dar de comer a quem tem fome. 2. Dar de beber a quem tem sede. 3. Vestir os nus. 4. Visitar e resgatar os cativos. 5. Dar pousada aos peregrinos. 6. Visitar os doentes. 7. Enterrar os mortos.
Lembre-se que a nossa Santa Fé Católica nos ensina que ... assim como o corpo sem o espírito está morto, também a fé sem obras está morta(Tiago 2: 26).

Os sete pecados mortais e as virtudes opostas
1. Soberba.................................................Humildade
2. Avareza..............................................Liberalidade
3. Luxúria...................................................Castidade
4. Ira............................................................Paciência
5. Gula....................................................Temperança
6. Inveja.......................................................Caridade
7. Preguiça.................................................Diligência
Os cinco efeitos do orgulho


1. Vanglória: a. Jactância b. Dissimulação/ Duplicidade
2. Ambição
3. Desprezo dos outros
4. Ira/ Vingança/ Ressentimento
5. Teimosia/ Obstinação.


Nove maneiras de ser cúmplice do pecado de outrem


a. Alguma vez fiz deliberadamente com que outros pecassem?
b. Alguma vez cooperei nos pecados de outrem:

1. Aconselhando? 2. Mandando? 3. Consentindo? 4. Provocando?
5. Lisonjeando? 6. Ocultando? 7. Compartilhando? 8. Silenciando?
9. Defendendo o mal feito?


Os quatro pecados que bradam aos Céus


1. Homicídio voluntário. 2. O pecado de sodomia ou lesbianismo.
3. Opressão dos pobres. 4. Não pagar o salário justo a quem trabalha.


Os seis Mandamentos da Igreja
  1. Ouvi Missa nos Domingos e Festas de guarda?
  2. Cumpri o jejum e a abstinência nos dias prescritos, e guardei o jejum eucarístico?
  3. Confessei-me pelo menos uma vez no ano?
  4. Recebi a Sagrada Eucaristia pelo menos uma vez por ano?
  5. Contribui, na medida do possível, para as despesas do culto?
  6. Observei as leis da Igreja sobre o Matrimónio, ou seja, quanto ao matrimónio sem a presença de um sacerdote, ou no caso de matrimónio com um parente próximo ou um não-Católico?
As cinco blasfêmias contra o Coração Imaculado de Maria
  1. Blasfemei contra a Imaculada Conceição?
  2. Blasfemei contra a Virgindade Perpétua de Nossa Senhora?
  3. Blasfemei contra a Maternidade Divina de Nossa Senhora? Deixei de reconhecer a Nossa Senhora como Mãe de todos os homens?
  4. Tentei pùblicamente semear nos corações das crianças indiferença ou desprezo, ou mesmo ódio, em relação à sua Mãe Imaculada?
  5. Ultrajei-A directamente nas Suas santas imagens?
Finalmente:
Recebi a Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal? (Este é um sacrilégio muito grave).
O exame dos pecados veniais de Santo António Maria Claret
A alma deve evitar todos os pecados veniais, especialmente os que abrem caminho ao pecado grave. Ó minha alma, não chega desejar firmemente antes sofrer a morte do que cometer um pecado grave. É necessário tem uma resolução semelhante em relação ao pecado venial. Quem não encontrar em si esta vontade, não pode sentir-se seguro. Não há nada que nos possa dar uma tal certeza de salvação eterna do que uma preocupação constante em evitar o pecado venial, por insignificante que seja, e um zelo definido e geral, que alcance todas as práticas da vida espiritual — zelo na oração e nas relações com Deus; zelo na mortificação e na negação dos apetites; zelo em obedecer e em renunciar à vontade própria; zelo no amor de Deus e do próximo. Para alcançar este zelo e conservá-lo, devemos querer firmement evitar sempre os pecados veniais, especialmente os seguintes:
  1. O pecado de dar entrada no coração de qualquer suspeita não razoável ou de opinião injusta a respeito do próximo.
  2. O pecado de iniciar uma conversa sobre os defeitos de outrem, ou de faltar à caridade de qualquer outra maneira, mesmo levemente.
  3. O pecado de omitir, por preguiça, as nossas práticas espirituais, ou de as cumprir com negligência voluntária.
  4. O pecado de manter um afecto desregrado por alguém.
  5. O pecado de ter demasiada estima por si próprio, ou de mostrar satisfação vã por coisas que nos dizem respeito.
  6. O pecado de receber os Santos Sacramentos de forma descuidada, com distracções e outras irreverências, e sem preparação séria.
  7. Impaciência, ressentimento, recusa em aceitar desapontamentos como vindo da Mão de Deus; porque isto coloca obstáculos no caminho dos decretos e disposições da Divina Providência quanto a nós.
  8. O pecado de nos proporcionarmos uma ocasião que possa, mesmo remotamente, manchar uma situação imaculada de santa pureza.
  9. O pecado de esconder propositadamente as nossas más inclinações, fraquezas e mortificações de quem devia saber delas, querendo seguir o caminho da virtude de acordo com os caprichos individuais e não segundo a direcção da obediência.
Nota: Fala-se aqui de situações em que encontraremos aconselhamento digno se o procurarmos, mas nós, apesar disso, preferimos seguir as nossas próprias luzes, embora frouxas.
Oração para uma boa confissão:
        Meu Deus, por causa dos meus pecados crucifiquei de novo o Vosso Divino Filho e escarneci dEle. Por isto sou merecedor da Vossa cólera e expus-me ao fogo do Inferno. E como fui ingrato para conVosco, meu Pai do Céu, que me criastes do nada, me redimistes pelo preciosíssimo sangue do Vosso Filho e me santificastes pelos Vossos santos Sacramentos e pelo Espírito Santo! Mas Vós poupastes-me pela Vossa misericórdia, para que eu pudesse fazer esta confissão. Recebei-me, pois, como Vosso filho pródigo e dai-me a graça de uma boa confissão, para que possa recomeçar a amar-Vos de todo o meu coração e de toda a minha alma, e para que possa, a partir de agora, cumprir os Vossos Mandamentos e sofrer com paciência os castigos temporais que possam cair sobre mim. Espero, pela Vossa bondade e poder, obter a vida eterna no Paraíso. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amen.


Nota final

        Lembre-se de confessar os seus pecados com arrependimento sobrenatural, tendo uma resolução firme de não tornar a pecar e de evitar situações que levem ao pecado. Peça ao seu confessor que o ajude a superar alguma dificuldade que tenha em fazer uma boa confissão. Cumpra prontamente a sua penitência.


Acto de Contrição

        Meu Deus, porque sois infinitamente bom e Vos amo de todo o meu coração, pesa-me de Vos ter ofendido, e com o auxílio da Vossa divina graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Peço e espero o perdão das minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia. Amen.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Amostra no Japão focaliza a heroica perseverança dos “católicos escondidos”

 
No centro: Nossa Senhora e o Menino Jesus, S. Matias, Sto Inácio,
S.Francisco Xavier e Sta Luzia. Em volta: os mistérios do rosário
 
A Universidade de Kyoto, Japão, está promovendo uma exposição que mereceria ser mais conhecida pelos católicos do mundo inteiro.
Trata-se de uma amostra de quadros pintados por “cristãos escondidos” dos séculos XVII a XIX, quando o cristianismo era sanguinariamente proibido no país e houve incontáveis mártires, como os de Shimabara.
Os primeiros portugueses aportaram no Japão a partir de 1543, levando missionários católicos. Entre eles, o grande São Francisco Xavier SJ.
Durante seis ou sete décadas, o catolicismo foi acolhido com entusiasmo. O fato foi registrado por artistas japoneses, dando origem a uma escola chamada Namban. Esta se caracteriza por uma síntese de elementos nipônicos e ensinamentos artísticos ocidentais transmitidos nos seminários.
A habilidade dos japoneses para a pintura fez com que os missionários lhes encomendassem quadros grandes para os altares, ou pequenos para uso pessoal dos fieis.
Esses quadros existiram em grande número, mas foram destruídos quando o Shogun [governador militar designado pelo imperador com poderes de ditador] pagão Tokugawa ordenou uma das mais sangrentas perseguições religiosas da história. 
 

Tendo o catolicismo sido declarado oficialmente ilegal em 1612, os católicos foram martirizados em massa. 434 deles foram beatificados e canonizados em diversas ocasiões, e muitos outros milhares ganharam a graça do martírio.
As ferozes perseguições e martírios públicos não conseguiram, entretanto, extinguir o catolicismo, que continuou sendo professado secretamente – de onde a expressão “cristãos escondidos”.
Sem o apoio de sacerdotes – portanto, sem a Missa e sem certos sacramentos fundamentais – eles continuaram professando o catolicismo, que foi transmitido de pais a filhos durante séculos.
 
 
 Também secretamente produziam quadros e objetos de devoção para as práticas religiosas em família ou em grupo, e que eram zelosamente ocultados aos olhares dos verdugos pagãos.
Em mais de um desses quadros, onde a influência barroca ocidental é evidente, contemplamos no centro Nossa Senhora com o Menino Jesus, tendo a seus pés Santo Inácio de Loiola – fundador dos jesuítas, grandes missionários no país – e São Francisco Xavier SJ, o mais famoso deles.
Em volta do tema central podemos ver em quinze círculos os quinze mistérios do Rosário, sinal de que a devoção do terço foi essencial na perseverança daqueles católicos sem comunicação com o mundo, mas amados de Nossa Senhora.
Um desses quadros (ao lado) foi encontrado na região de Osaka, no porão de uma chácara da aldeia de Ibaraki.
O Japão era dotado de uma organização social feudal onde os nobres governavam as regiões, um pouco como a nobreza medieval governava a Europa.
No século XVI, a região em que foi achado o quadro pertencia ao feudo do Senhor Takayama Ukon, conhecido na região pelo seu nome católico: Don Justo Takayama.
Lembrado como um dos mais piedosos senhores feudais católicos da época, ele preferiu renunciar a seu feudo e às suas propriedades antes que renunciar à Fé. Acabou sendo expulso do Japão e morreu em Manilha, Filipinas.
Mas, apesar da perda de seu senhor feudal e protetor, os católicos conservaram intacta sua Fé.
Perto da casa onde foi recuperado este quadro de Nossa Senhora encontrou-se um famoso retrato de São Francisco Xavier, o qual está hoje exposto no Museu da cidade de Kobe.
 
 Dom Justo Takayama Ukon, heroico e protetor senhor feudal católico
 
Em 1853, o almirante americano Matthew Perry, comandando uma frota de guerra, obrigou o Japão a se abrir ao comércio e às relações diplomáticas com o Ocidente.
Efetivada essa liberalização, os missionários católicos puderam voltar ao Japão e abriram missões.
Conta-se que uma vez, na igreja ainda nova e vazia, um japonês entrou e observou com grande curiosidade tudo o que nela havia.
O missionário puxou uma prosa e o japonês lhe perguntou:
– O Sr. acredita no Papa?
– Sim.
– O Sr. acredita em Nossa Senhora.
– Sim!
– O Sr. acredita na Eucaristia?
– Sim!
– Então seu coração é como o nosso!
Tratava-se de um dos “católicos escondidos”. Eles receberam instrução dos últimos padres para não acreditarem em qualquer um que viesse de fora, mas só nos que professassem a fé no Papa, em Nossa Senhora e na Eucaristia. Estes só poderiam ser católicos.
A amostra promovida hoje pela Universidade de Kyoto ilustra a fé desses japoneses que perseveraram contra toda esperança, aguardando que um dia chegariam os bons missionários.
Demoraram quase três séculos, mas chegaram. O mérito de perseverança na Fé desses católicos do Japão é todo um exemplo para nós, nesta época em que a Fé é tão perseguida.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Shakespeare católico e a desordem cultural


Nota: O artigo contém spoilers sobre o enredo de Macbeth; a partir do 12º §

Neste artigo, que decididamente não é o de um especialista, quis simplesmente expor algumas anotações feitas durante a leitura de algumas das peças de Shakespeare, especialmente de “Macbeth”.
Uma primeira pergunta que, desde o início, se poderia suscitar: Que interesse pode ter semelhante artigo para nossa formação católica, não seria melhor tratar de algum outro tema mais relacionado com a vida espiritual? Pergunta que poderia formular-se de modo mais geral: Que benefício podemos tirar da leitura dos clássicos?
Os clássicos não são um tratado sistemático de filosofia, mas nos ensinam, de modo mais acessível e artístico, relações muito importantes da alma humana, ajudam-nos a compreender melhor o que é o homem, o mecanismo real de sua psicologia, a estimar virtudes naturais, como a amizade, a honra, a coragem, assim com as conseqüências do pecado, etc. que são a base de todo o possível trabalho da graça em nós.
Na raiz dessa desconfiança ou desinteresse pela cultura clássica está, segundo me parece, um erro de dicotomia característico da nossa época moderna, como se a ordem sobrenatural fosse algo quase que a margem da natureza, e não seu aperfeiçoamento. Se a graça aperfeiçoa a natureza, a natureza também “ajuda” o desenvolvimento da graça.
Assim, por exemplo se não podemos ou não somos capazes de compreender a beleza de uma poesia, não saberemos compreender a beleza dos salmos e, muito menos, a beleza das operações da graça em nossas almas. Se não compreendemos o valor da amizade, não poderemos apreciar a caridade sobrenatural, amizade de outra ordem que Deus infunde em nossas almas. E assim em tudo o mais.
Shakespeare situa-se num período de transição entre dois mundos: traz toda a herança de séculos de civilização cristã, que floresceu na Idade Média, mas é homem da renascença. Seu drama distingue-se do drama medieval por um enfoque mais psicológico e introspectivo (que o tornaria quase um precursor da novela psicológica de Dostoievksy), mas nem por isso está destituído do aspecto moralizante medieval; ao contrário, é altamente instrutivo.
Os críticos, em geral, dividem a obra literária de Shakespeare em três épocas. A primeira época, que abarcaria o período que vai de 1592 (quando começou a escrever) até 1603 (morte da rainha Isabel), e que inclui obras como: Love´s labour´s lost, As you like it, The Merchant of Venice, entre outras. Caracteriza-se pode uma confiança fervorosa no homem, cujas contradições existenciais são sempre resolvidas pelo equilíbrio e pela virtude1.
Numa segunda época, de 1603 a 16062, Shakespeare se confronta com o problema do mal na natureza humana e, apesar de colocar este problema com grande clarividência, não chega a resolvê-lo, pois não o coloca da maneira católica. Mons. Williamson assinala, em um interessante artigo publicado em “Sel de la terre” 3 que Shakespeare era católico, mas vivia em uma Inglaterra que perseguia violentamente os católicos, e não se atrevia declarar-se como tal e, por isso, sua obra se ressente desta atitude.
Numa terceira época, desde 1606 até sua morte, Shakespeare encontrará um princípio de solução para o problema. Em obras como King Lear ou The Tempest, não é pelo assassinato do mau ou pelo suicídio desesperado que se resolverá o problema, mas pela entrega de si mesmo em espírito de sacrifício e pela superação das paixões baixas que nos escravizam. Shakespeare, com efeito, como assinala Mons. Williamson4, reencontra a paz, morrendo piedosamente depois de receber os últimos sacramentos das mãos de um monge beneditino.
Estas etapas na obra literária de Shakespeare certamente refletem seu processo de conversão interior, processo que se repete muitas vezes em nosso próprio itinerário espiritual. A primeira etapa corresponderia ao homem que põe a confiança em suas próprias forças, pensando que pode tudo por si só. Mas que, em seguida, confronta-se com o pecado em sua natureza mesma, dá-se conta, por experiência, de sua debilidade, de sua incapacidade, para finalmente encontrar a solução em uma maior entrega à ação da graça, movido por humildade e confiança.
Macbeth é, talvez, a obra mais característica da segunda época e apresenta, de maneira muito viva, a degradação da natureza humana, o homem frente ao mal, o lado escuro da alma humana, as conseqüências últimas da entrega total ao pecado. Fixemo-nos na fina descrição psicológica da tentação ao largo de toda a obra.
A peça começa já numa atmosfera tenebrosa, e umas bruxas planejam semear a tentação no coração de Macbeth, nobre que volta vitorioso e cheio de honra da batalha. As primeiras palavras das bruxas já anunciam essa contradição e dissolução extrema a que levará o pecado: “Fair is foul, and foul is fair” 5, “bom é mau e mau é bom”. As bruxas, ao se encontrarem com Macbeth, predizem que, sendo já duque de Glamis, será também de Cawdor e, enfim, rei. O primeiro (ser duque de Cawdor) cumpre-se em seguida, e aí reside a primeira tática do tentador, como observa Banquo, “os instrumentos das trevas nos dizem verdades, nos ganham com insignificâncias, para nos trair depois mais profundamente”6.
A idéia de ser rei fica como uma tentação latente no coração de Macbeth, para a qual teria de matar o rei atual, Duncan. Seus solilóquios revelam uma intensa luta interior: os avisos da consciência contra os sentimentos de ambição que o inflamam. Macbeth chega a rechaçar a idéia quando diz à esposa: “Não insistiremos mais neste assunto (de matar o rei)”, mas a vontade não está suficientemente determinada e cede às instâncias de Lady Macbeth, que faz o papel do tentador. Segue, então, o ato trágico: o assassinato do rei, depois do que, como se estivesse descendo por uma espiral, seguem-se uma série de crimes para encobrir o inicial.
A entrega para o mal segue in crescendo, passando por tentativas de sufocar a consciência7, até o ponto de legitimar o pecado: “Pelos piores meios, os piores, para meu próprio bem, todas as outras coisas devem ceder lugar”, diz Macbeth.
Isso leva ao patético solilóquio da última cena, em que Macbeth expressa a visão da vida de um homem totalmente entregue ao mal, um homem que chegou ao fundo do poço de degradação da natureza humana: “Apaga vela! A vida é só uma sombra: um mau ator que grita e se debate pelo palco, depois é esquecido; é uma história que conta o idiota, toda som e fúria, sem querer dizer nada”.
O clima de desolação é extremo: Lady Macbeth se suicida sem que ninguém se importe ou se ocupe dela; a sociedade está em caos pela insegurança gerada pelo reinado do tirano.
Tudo isso contrasta fortemente com a visão “hollywoodiana” da escória cinematográfica que predomina em nossos dias, que apresenta uma visão totalmente ilusória e ignara da psicologia humana, em que os piores crimes e baixezas são cometidos, aparentemente sem conseqüências significativas, terminando tudo habitualmente num irreal “happy end”.
É preciso dar-se conta do quanto nossa cultura moderna está impregnada de valores antinaturais. Vivemos o culto do feio. E o homem, em sua formação integral, necessita de uma cultura sã, que o permita contemplar a beleza em todos seus aspectos, “para que o homem se volte a Deus pelos mesmos vestígios que o afastaram d´Ele; de modo tal que, se por amar a beleza da criatura privou-se da forma do Criador, sirva-se da mesma beleza terrena para elevar-se novamente à beleza divina.” 8.
(Iesus Christus, revista do Distrito da América do Sul da FSSX – Ano XV – no. 96)

sexta-feira, 29 de março de 2013

Meditação da Paixão de Nosso Senhor


Jesus cravado à Cruz

Assim que o Senhor foi despido, deitaram-no sobre a cruz preparada e estendida sobre o chão. Não foi difícil fazer cair esse corpo titubeante e sem forças. Esse divino Salvador, aliás, que ardia de amor pelos homens e, portanto, pela cruz, o instrumento da salvação deles, deixou-se estender voluntariamente e sem resistência sobre essa cruz que ele mesmo desejava ardentemente e via como o leito nupcial onde desposaria a Igreja em geral, e em particular todas as almas fiéis, que devia amar como se fossem esposas.

Via Crucis de Lourdes, França
Mas, meu Deus, que leito nupcial para um esposo tão belo, tão nobre, tão augusto e tão santo! Que rigor, que dureza! Mas que coragem para sofrer por nosso amor e que condenação de nossa moleza e covardia! Ah! Senhor! Esse não é um leito de delícias e coberto de flores como merecíeis e como o pinta o esposo dos sagrados cânticos, mas um leito de dor e um leito cruel, porque devíeis ser um esposo de sangue e nos ensinar que são sangrentas as estradas que nos levam aos céus.

Deitado sobre a cruz, estende a mão direita com bondade e a dá ao carrasco que devia perfurá-la; mão todo-poderosa, que poderia derrubar e fulminar todos os adversários; mão benévola e divina, à qual deviam, ao contrário, dar mil respeitosos beijos como homenagem e para atrair graças e bênçãos. Toma desumano o carrasco essa mão sagrada; fura-a cruelmente com vários golpes; faz a carne entrar com o prego na madeira da cruz. Tomam-lhe a outra mão, puxam-na com violência para fazê-la corresponder ao buraco preparado, provocando uma tensão cruel e dolorosa; perfuram-na, enfim e a cravam como a outra.

Assim é, Senhor, que suportais que tratem as vossas mãos, origem de tantos prodígios. Foram as suas mãos, dizia o profeta, que criaram o céu e a terra; foram as vossas mãos que me formaram; de  vossas mãos os judeus acabavam de receber tantos favores; mãos que haviam tocado os olhos do cego e o haviam curado na presença de tanta gente. Essas mãos adoráveis são agora perfuradas e estendidas sobre a cruz, que abraçais carinhosamente, como uma esposa entre os braços da qual quereis morrer para me dar a vida.

Para prender com mais força esse divino Salvador à cruz, furam os dois pés com a mesma crueldade, e deles sai sangue em abundância, assim como das mãos. Esses pés tão belos, diz um profeta, que nos trouxeram a paz; esses pés que Madalena penitente regara com suas lágrimas na casa do fariseu; esses pés que tanto caminharam para ir curar os doentes mais sem esperança, para ir buscar os pecadores mais endurecidos e para ir ressuscitar os mortos, estão agora sem movimento, pregados a uma cruz infame, e sofrem uma dor infinita por meu amor.

Ah! Senhor, recorro a essas mãos e a esses pés: reconheço na fraqueza deles a omnipotência; e peço-vos que essas mãos dolorosas concedam às minhas mãos obras de penitência, e esses pés conduzam meus passos nas trilhas da justiça.

Meditação do Pe. franciscano Jean-Baptiste-Élie Avrillon (1652-1729) sobre a crucifixão de Cristo, para a segunda-feira da Paixão. Avrillon foi um dos mais populares escritores católicos franceses do século XVIII.

Dn. Silvia Cardoso Ferreira da Silva


Sílvia Cardoso Ferreira da Silva nasceu no dia 26 de Julho, dia de S. Ana, de 1882, em Paços de Ferreira. Foram seus pais Manuel Umbelino Ferreira da Silva e Joaquina Emília da Conceição Cardoso. O pai, de fé simples mas profunda, era estimado pela generosidade e pelo espírito de sacrifício; a mãe era exemplo de dedicação à família e aos pobres. Foi baptizada no dia 4 de Agosto. Sílvia era a primeira filha do casal, a primeira dos quatro irmãos que
chegaram à maioridade. O nome sendo raro na família e no tempo lembra duas santas mulheres da história da Igreja, Sílvia de Constantinopla que no século IV combateu as heresias, e Sílvia mãe de S. Gregório Magno.

Fez a primeira comunhão aos 11 anos, no dia 23 de Abril de 1893. O Santo Crisma recebeu-o em 1903.

Estudou as primeiras letras com uma professora particular e depois, no Porto, o Colégio Inglês; e em Vila Nova de Gaia, o Colégio do Sardão, onde foi sempre aluna aplicada e bem classificada.

Durante o ano de 1913 preparou o seu casamento, mas a morte do noivo impede a realização do mesmo. Em 1917 participa em Tuy num retiro donde sai o gérmen do que deveria ser o seu futuro apostolado: a assistência às crianças pobres e aos doentes. Esta dedicação tão intensa é causa de em 1918 se contagiar pela febre pneumónica. Uma vez curada será sempre incansável no seu apostolado.

Sempre trazia consigo uma espécie de saco onde tudo cabia: rosários e devocionários, medalhas e folhetos, peças de roupa que vestiriam os pobres, crucifixos que seriam a última âncora de moribundos. Porque não se demorava muito no mesmo lugar, precisava daquele alforge para as suas explorações de andarilha de Deus. Era o alforge da caridade que se enchia aqui e além, conforme calhava, e ia esvaziar-se junto das camas dos hospitais, nas creches, nos patronatos, nas celas das prisões, nas salas da catequese, nos armazéns onde houvesse empregadas que precisassem de auxílio. Os pobres faziam parte da sua vida.

Se lhe batiam à porta, nunca precisavam de bater duas vezes. Batiam uma só, e logo se ouvia de dentro um "já vou" rápido, carinhoso e nítido. Dona Sílvia foi apóstola do verbo ir e do advérbio já. Era toda asas. Ir depois corresponde, a cada passo, a não valer a pena ir.

O bispo do Porto, D. António Augusto de Castro Meireles, tinha por Dona Sílvia a maior admiração e estima. Em carta de 5 de Dezembro de 1931, recomenda-lhe: "É preciso em tudo muito método e muita serenidade. Mas Dona Sílvia só adoptava um método: o deitar o coração pelo peito fora, direito a todas as desgraças ou problemas a que importa acudir. E acode, como ela diz: "É para mim um grande gosto caminhar com os olhos fechados, conduzida pela Providência; os seus desígnios são impenetráveis, mas sempre doces e suaves para os que n’Ela confiam".

A 21 de Janeiro de 1923, sob o patrocínio do Menino Jesus de Praga, inicia, na Casa de Sequeiros, do Concelho de Lousada, a Obra dos Retiros espirituais para leigos. Durante três anos, participaram nos retiros de Sequeiros 195 cavalheiros, 471 senhoras, 568 lavradeiras e criadas, 115 lavradores e operários, 13 Filhas de Maria, 19 professoras e 25 meninas. Gorada, porém, a Casa de Retiros de Sequeiros outras nascerão de norte a sul do país, sempre com grande proveito de quanto as frequentam.

Sílvia Cardoso via e amava as crianças. Via-as com a suprema ternura das suas estranhas pupilas descobridoras. Amava-as como se devem amar, na harmonia da Criação, como estrelas que despertam e como sementes que nascem. Dona Sílvia nunca estudara sociologia nem se especializara em qualquer método pedagógico, mas doutorara-se no amor do Evangelho. Quando encontrava as crianças estremecia toda interiormente, como se a tomassem as milagrosas surpresas de uma aparição. É que via nas crianças o Menino Jesus das palhas de Belém e das horas caladas de Nazaré. O Menino Jesus surgia-lhe maltrapilho e de olhos tristes, na aresta de uma esquina ou na poeira de uma praça. Confrangia-se-lhe o coração perante o espectáculo das crianças órfãs, abandonadas ou vagabundas. E se milhares de inocências não se destroçaram na vida foi porque Dona Sílvia lhes lançou a tempo as amarras dos seus braços inquebrantáveis.

 Um dos aspectos mais relevantes da sua vida foi a sua piedade. Era mulher de piedade forte e profunda, de fé e esperança, responsável e disponível para a caridade. Membro fiel da comunidade eclesial, actuava dentro dela em obediência à Hierarquia, oferecendo-lhe a máxima colaboração, sem quaisquer reservas às suas indicações e aos seus apelos. Tinha a certeza da invencibilidade da Igreja, mas não se acomodava a posições estáticas, antes procurava servi-la na liberdade e no sacrifício.

Depois de Cristo era a Nossa Senhora que mais dedicava o seu afecto de piedade filial. Outras devoções particularmente gratas a Dona Sílvia foram a Sagrada Família, o Menino Jesus de Praga e Santa Teresinha do Menino Jesus.

No Verão de 1949 o seu corpo macerado começou a dar sinais da terrível doença que havia de vitimá-la. Dona Sílvia aceita a prova sem protestos, mas não consegue ocultar o avanço do mal implacável. Morreu na madrugada do dia 2 de Novembro de 1950. No dia seguinte, festa litúrgica de S. Silvia, foi o seu funeral.

terça-feira, 19 de março de 2013

São José, Patrono da Igreja Católica


S. JOSÉ, esposo puríssimo de Maria Santíssima e pai nutrício de Jesus Cristo, era de origem nobre, como testificam os evange­listas Mateus e Lucas. A genealogia de José remonta a David e de David aos Patriarcas do Antigo Testa­mento. Mais importante, porém, que a origem, é a virtude que tan­to enobrece a alma de S. José: a hu­mildade. Não sabemos onde o santo Patriarca nasceu; alguns opinam que era natural de Nazaré, na Galileia, onde trabalhava na ofici­na de carpinteiro; outros porém, acham mais provável que Belém te­nha sido a cidade natal de São José pois, Belém foi a cidade de David. A mãe de José era Estha. Não deve­mos estranhar a pobreza de José. Escolhido para ser o pai adotivo do Messias, convinha que comparti­lhasse a vida pobre deste. Nada sa­bemos a respeito da infância de S. José e nem tão pouco da vida que levou, até o casamento com Maria Santíssima. Os santos Evangelhos não nos dizem coisa alguma a esse respeito; limitam-se apenas a afirmar que José era justo, o que quer dizer: José era cumpridor da lei, homem santo.
Que a virtude e santidade de S. José foram extraordinárias, vemos pela grande e importante missão que Deus lhe confiou. Segundo a doutrina de São Tomás de Aquino, Deus confere as graças e privilégios à medida da dignidade e da eleva­ção do estado, a que destina o indi­víduo. Pode imaginar-se dignidade maior que a de S. José, que, pelos desígnios de Deus, devia ser esposo de MariaSantíssima e pai nutrício de seu divino Filho?
Parece fora de dúvida que os desposórios de Maria Santíssima com São José obedeceram a um plano extraordinário da Divina Providên­cia. Maria Santíssima, consentin­do no enlace com o santo descen­dente de David, não podia ter outra coisa em mira, senão uma garantia para o futuro, uma defesa de sua virtude e uma satisfação perante a sociedade, visto que no Antigo Tes­tamento não era conhecida, e mui­to menos considerada, a vida celi­batária. Celebrando o contrato matrimonial,Maria Santíssima certamente o fez com a garantia absoluta da pureza virginal, que por inspiração divina votara a Deus. São Jerônimo afirma que S. José conservou em toda a vida a virgin­dade. Ninguém pode estranhar o título de “Irmão deJesus”, visto que os livros bíblicos empregam muitas vezes a palavra “Irmão” por “parente”. Abraão disse a Lot: “Não haja contenda entre nós, pois so­mos “Irmãos”. E Abrão não era irmão, mas tio de Lot.
Realizou-se a gran­diosa obra da Encar­nação do Verbo Uni­gênita de Deus. O Ar­canjo S. Gabriel sau­dou a Maria e comuni­cou-lhe o grande mis­tério, que nela se havia de realizar. Maria pronunciou o “fiat”, con­sentindo na materni­dade que se operaria nela pelo Espírito San­to, e deixou a São José em completa ignorân­cia. Com esse consenti­mento, dirigiu-se à ca­sa de S. Isabel, onde se demorou três meses e, de volta para casa, seu estado causou no espí­rito de José as mais graves preocupações e cruéis dúvidas. A vir­tude e santidade da esposa estavam acima de qualquer suspeita, não lhe permitindo ex­plicação menos favo­rável. De outro lado se vai diante de uma rea­lidade, que lhe tortu­rava a alma. Nesta perplexidade invencí­vel, resolveu abando­nar a esposa. Quando já tinha providenciado tudo para a partida, apareceu-lhe, em sonho, um Anjo do Senhor e disse-lhe: “José, Filho de Davi, não temas ad­mitir Maria, tua Esposa, porque o que nela se operou, é obra do Espí­rito Santo”. Foram assim de vez dissipadas as negras nuvens do espírito de José. É mais fácil imagi­nar do que descrever a alegria que lhe foi na alma, sabendo do grande mistério, que se operava em Maria. Com quanto respeito, com quanta atenção não teria tratado aquela, que pela fé sabia ser o tabernáculo vivo do Messias.
Nascimento de Jesus - Fra Angélico
A época do nascimento de Jesus coincidiu com a publicação de um decreto do imperador Augusto, exi­gindo que os súditos romanos se alistassem na cidade de origem. Foi necessária esta determinação im­perial, para que se cumprissem as profecias do antigo Testamento, que indicavam Belém como cidade onde havia de nascer o Messias. José e Maria, sendo da família de David, em obediência ao decreto, fizeram a jornada para aquela cidade. O Messias, prestes a aparecer, chegou ao que era seu e os seus não o re­ceberam. Fecharam-se-lhe todas as portas, e os pobres pais outro abri­go não acharam, a não ser uma estrebaria fora da cidade. Provação duríssima para um coração tão ex­tremoso como era o de S. José. Essa tristeza foi largamente recom­pensada, dando lugar a uma ale­gria incomparável, quando, naquela noite do desterro, Maria Santíssima deu à luz o Filho de Deus. Com que transportes de alegria não teria con­templado o divino Infante com que satisfação não o teria tomado nos braços e coberto de ternos beijos!
Esta alegria foi aumentada ain­da pelas circunstâncias extraordinárias, que acompanharam o gran­de acontecimento: A aparição dos Anjos nos campos de Belém e o celestial canto, que igual o mundo jamais ouvira, desde sua existência, o comparecimento dos pobres pas­tores no estábulo, mais tarde a che­gada dos reis Magos do Oriente. To­dos estes fatos, cada qual mais ex­traordinário, despertaram em São José novos motivos, não só de alegria, como também de grande ad­miração. Pela primeira vez lhe sur­giu no espírito bem nítida, a subli­me missão que Deus na sua bonda­de lhe tinha reservado, a missão de Pai nutrício de seu Filho Unigêni­to. Este conhecimento, se bem que o tenha confundido, de certo lhe encheu a alma de paz indescrití­vel.
Apresentação de Jesus no Templo - Fra Angélico
Passados quarenta dias, José, em companhia do Menino Deus e Ma­ria Santíssima, se dirigiu a Jerusa­lém, em obediência à lei, que exigia a apresentação do filho no templo. Sentiu-se-lhe a alma profundamen­te comovida, pela recepção que tive­ram do velho Simeão. Este, sem an­tes ter visto a criança, conheceu nela o Filho de Deus e, no transpor­te de satisfação que lhe invadiu a alma, desejou morrer.
Pouco tempo depois S. José rece­beu de Deus a ordem de fugir com a família para o Egito, para assim salvar a vida da criança, seriamente ameaçada pelo rei Herodes. Sem demora se pôs a caminho e ficou no Egito até segunda ordem. Esta veio, quando os perseguidores de Jesus tinham morrido, e José voltou para a sua terra. Por caute­la, porém, não ficou em Belém, mas se estabeleceu em Nazaré.
A perda e o encontro de Jesus no Templo Discutindo com os Doutores da Lei
Conforme o costume na terra dos judeus, José ia anualmente, por ocasião da Páscoa, a Jerusalém, pa­ra oferecer a Deus no templo, os sacrifícios prescritos pela lei. Quan­do o Menino Jesus tinha doze anos, foi pela primeira vez com os pais a Jerusalém. No dia da partida Je­sus ficou no templo, sem que os pais o soubessem. Resultou daí a grande aflição para as duas santas pessoas, que, com a maior ânsia, procuraram o filho durante três dias, ora nas casas dos parentes, ora entre os grupos de romeiros já de volta, até que o acharam no Templo, sentado no meio dos sacerdotes e escribas. Jesus desceu com os pais para Nazaré e ficou-lhes sujeito.
É tudo quanto sabemos de São José e o que os santos Evangelhos dele nos relatam. Sendo a Sagrada Família legalmente constituída, José era considerado pai de Jesus e Jesus filho do carpinteiro. Não de­vemos pôr em dúvida que José te­nha trabalhado com toda dedica­ção para ganhar o sustento das pessoas confiadas ao seu cuidado. Da mesma forma é certo que Jesus cumpriu para com ele as obriga­ções de filho, prestando-lhe obe­diência, respeito e amor do modo mais perfeito.
Morte de São José
Ignora-se quando S. José mor­reu. Há razões que fazem supor que o desenlace se tenha dado an­tes da vida pública de Jesus Cris­to. Certamente não se achava mais entre os vivos quando seu Filho morreu na cruz; do contrário não se explicaria porque Jesus recomen­dou a Mãe a S. João Evangelista, não tendo para isto razão, se estives­se vivo S. José.
Que morte santa terá tido o Pai nutrício de Jesus! Que felicidade morrer nos braços do próprio Je­sus Cristo, tendo à cabeceira a Mãe de Deus! Mortal algum teve igual ventura. A Igreja com muita razão invoca S. José como padroei­ro dos moribundos e os cristãos se lhe dirigem com confiança, para alcançar a graça de uma boa mor­te.
Não existem relíquias de S. José, nem tão pouco sabe-se algo do lu­gar onde lhe foi sepultado o corpo. Homens ilustrados e versados nas ciências teológicas houve e há, que defendem a opinião de que S. José, em atenção a sua alta posição e grande santidade, foi, como S. João Batista, santificado antes do nasci­mento e já gozava de corpo e alma da glória de Deus no céu, em com­panhia de Jesus, seu Filho e Maria, sua santíssima Esposa.
Grande deve ser a nossa confiança na intercessão de S. José. A dig­nidade, a amizade íntima com Je­sus e Maria, o lugar proeminente no plano da Redenção, são outros tantos títulos que lhe garantem a influência e o poder junto ao tro­no de Deus. Não há pessoa, não há classe que não possa, que não deva se lhe dirigir. Santa Tereza, a gran­de propagandista da devoção a São José, chegou a dizer: “Não me lembro de ter-me dirigido a São José, sem que tivesse obtido tudo que pedira”.
A devoção a S. José na Igreja Ca­tólica é antiquíssima. A Igreja do Oriente celebra-lhe a festa, desde o século nono, no domingo depois do Natal; os Coptos comemoram-na no dia 20 de julho. Os Carmelitas in­troduziram-na na Igreja ocidental. Os Franciscanos em 1399 já festeja­ram a comemoração do santo Pa­triarca. Xisto IV inseriu-a no bre­viário e no missal; Gregório XV ge­neralizou-a em toda a Igreja. Cle­mente XI compôs o ofício, com os hinos, para o dia 19 de março e colocou as missões da China sob a proteção de S. José. Pio IX introdu­ziu, em 1847, a festa do Patrocínio de S. José, e em 1871 declarou-o Pa­droeiro da Igreja Católica; Leão XIII e Benedito XV recomendaram aos fiéis a devoção a S. José, de um modo particular, chegando este último Papa a inserir no missal um prefácio próprio.
Fonte: http://www.lepanto.com.br/
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Oração à São José

A vós São José, recorremos na nossa tribulação, e depois de ter implorado o auxílio da vossa Santíssima Esposa, cheios de confiança, solicitamos o vosso patrocínio.
Por esse laço sagrado de caridade que vos uniu à Virgem Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes para com o Menino Jesus, ardentemente suplicamos que lanceis um olhar benigno à herança que Jesus Cristo conquistou com o seu Sangue, e nos assistais, nas nossas necessidades, com o vosso auxílio e poder.
Protegei, oh! guarda providente da Divina Família, a linhagem escolhida de Jesus Cristo;
Afastai para longe de nós, oh! Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício; assisti-nos do alto do céu, oh! nosso poderosíssimo Protetor, na luta contra o poder das trevas;
E, assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada, do Menino Jesus assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas dos seus inimigos e contra toda a adversidade.
Amparai a cada um de nós, com vosso constante patrocínio, a fim de que a vosso exemplo e sustentados com o vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, piedosamente morrer, e obter no Céu a eterna bem-aventurança. Amém.