Assoc. Fronteira Católica: Mundo moderno
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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Condição Patológica

Isabel, a Católica, a grande Rainha da Espanha, segundo um relato, encomendou certa vez uma pintura que mostrava um padre no altar, uma mulher dando à luz e um criminoso sendo enforcado. Em outras palavras, que cada um faça o que tem que fazer, e não outra coisa. Mas esses “Comentários” sugeriram semana passada que hoje as pessoas não estão sendo o que elas são: professores frequentemente não ensinam, médicos frequentemente não curam, policiais frequentemente não protegem, e – o pior de tudo, eu poderia ter acrescentado – padres frequentemente não estão sendo homens de Deus. Uma palavra moderna usada por um amigo italiano para descrever esse desajuste à realidade tão propagado hoje em dia é: “patológico”.  
 Agora, “patológico” é uma palavra pertencente a um jargão de psiquiatras que é propriamente conhecido como “psychobabble”, que se refere a palavras que se disfarçam de novinhas em folha, com muitas sílabas, mas que na verdade representam simplesmente as boas e velhas misérias da natureza humana decaída. Ora, os psiquiatras, eles mesmos irreligiosos, não podem resolver problemas de irreligiosidade, embora ao menos eles estejam, por assim dizer, tentando. Assim, a novidade do “psychobabble” serve pelo menos para sugerir que há algo sem precedentes nas misérias que têm se acumulado nos seres humanos desde os séculos passados até então, culminando na apostasia. Meu amigo escreve:-- 
 “A patologia pode significar uma doença ocasional ou congênita e, por extensão, um modo de ser anormal ou distorcido que, seja inato ou adquirido, se torna parte de uma constituição de um indivíduo. O mesmo conceito pode ser aplicado por extensão a um grupo de indivíduos ou uma sociedade. Desse modo, pode-se falar da patológica, ou seja, da doente, anormal, condição do mundo moderno. E independente de ser adquirida ou inata, não é vista como ela é pela pessoa ou pessoas relacionadas. Mais ainda, como elas a vêem como normal, a usam como um escudo, e mesmo se gabam dela. A anormalidade se torna normal e vice versa; esse é o drama do mundo moderno e do homem moderno.” 
Então nós devemos encontrar o padre negligenciando o altar, a mulher não dando à luz e os criminosos não sendo enforcados. Mas esse é exatamente o mundo em torno de nós – o “psychobabble” corresponde aos fatos! Assim, aqui está o que o mesmo amigo disse sobre como os católicos devem reagir à essa condição patológica do mundo moderno:
  “Os católicos precisam entender que nós estamos vivendo em uma situação sem precedentes em que todo o senso da realidade objetiva vem sendo continuamente perdido. Isso significa para a Igreja que os pontos de referência ainda válidos há 50 anos não mais se aplicam. Soluções diferentes são buscadas não só para que se tenha em conta a possibilidade de a desordem aumentar ainda mais, mas também para se permanecer elástico o suficiente a fim de se adaptar à situação que constantemente piora. Se então a doutrina é fundamental e decisiva, os católicos e os futuros sacerdotes devem ser ensinados doutrinariamente como esse fim dos tempos é único. Os Evangelhos falam-nos de sua vinda no futuro, mas eles estão conosco aqui e agora, e estão sujeitos a causar somente o pior, até o momento em que Deus disser que é suficiente.” 
Em resumo, séculos de apostasia crescente têm acumulado na raça humana uma recusa da realidade que pode ser chamada de “patológica”, e que está causando desconhecidos níveis de angústia nas pessoas, angústia não aliviada por um nível de prosperidade material igualmente sem precedentes. A Igreja Católica combateu essa apostasia, mas quando no Vaticano II ela desistiu do combate, a fantasia patológica tomou conta do mundo, e deu uma guinada em direção ao Anti-Cristo. O Arcebispo Lefebvre criou uma fortaleza de sanidade dentro da Igreja em ruínas, mas agora a mesma patologia está a caminho de tomar conta de sua Fraternidade.
 Professores, ensinem! Médicos, curem! Mulheres, dêem à luz! Padres, estudem tudo o que o Arcebispo disse e fez. E Rainha Isabel, por favor, rogai por nós. 

Kyrie eleison

sexta-feira, 19 de julho de 2013

E Satã dirige o baile

[...] Mas, se apenas fôssem nossos instintos e nós próprios. Mas o demônio chega com todas as suas astúcias para avivar nossas paixões e nos atrair longe de Deus. Usa fartamente os diversos recursos da propaganda moderna. A civilização constitui, a seu serviço, variações apenas de um tema fundamental: "Gozar! Gozar!".

Liguem o rádio e escutem qualquer programa de canções. Certamente, não ouvirão convites diretos à impureza. Satã é bastante hábil para não apresentar em sua fealdade real as diversas formas da devassidão: fornicação, adultério, violação, amor livre. São palavras que por si só afugentariam qualquer pessoa honesta. A realidade ignóbil é, pois, envolvida por uma música sedutora e aparentemente inofensiva. Vozes ternas cantam "o amor, o grande amor, o doce amor", aquêle em que duas cobiças encontram o frenesi, dois corpos o gozo. Nunca a menor evocação do verdadeiro amor, o amor bendito por Deus, o amor que não é a posse voluptuosa da carne, mas a doação casta, serena e definitiva de dois seres participantes do Amor criador e redentor. Nunca dizem que a união de dois corpos só tem valor real, humano e divino, à medida que confirma a união dos corações e das almas num casamento legítimo. Os cantores voltam sempre, depois de devaneios, ao sempiterno leitmotiv:

"Quando estou nos braços teus,
Então, aos olhos meus
A vida é cor-de-rosa..."

Os ouvintes e as ouvintes que escutam essas canções freqüentemente, acabam por acreditar que sua vida será fracassada se não se entregarem totalmente aos prazeres carnais.

À superexcitação das paixões por essas lânguidas melodias juntam-se os estímulos, não menos pérfidos, que entram pela sensibilidade por meio de cartazes em que se expõem os nus. Há também os romances em que amantes extremamente simpáticos violam com êxito as leis de um decálogo apresentado como desumano.

Há as conversas em que se zomba dos que se submetem a preceitos considerados ultrapassados e ridículos pelos debochados.

Em suma, Satã está aqui, lá, em toda parte, espalhando pelas maneiras mais diversas o seu slogan favorito: "Gozar! Gozar!".

Se ainda Asmodeu, o demônio da carne, fôsse o único a andar pelo mundo! Mas não! Como diz o Evangelho, ele chama em seu auxílio mais sete demônios piores do que ele. Vejam, por exemplo, o demônio da embriaguez: como é sagaz!

Os anúncios dissimulam bem os efeitos nocivos dos licores inebriantes e nem sequer fazem a menor alusão ao mal-estar que, na maior parte das vezes, faz um verdadeiro inferno do "dia da ressaca". Segundo os anúncios a bebida tem todas as virtudes: estimula ou acalma segundo as necessidades, esquenta ou refresca, tonifica, dá ao organismo um delicioso bem-estar. Nunca se fala, nesta publicidade diabólica, dos crimes cometidos pela embriaguez.

Para evitar qualquer equívoco, afirmamos que nada há a censurar no uso moderado da bebida. Somente o abuso é condenável, mas é justamente esse abuso que favorece a publicidade ousada. Satã deve se regozijar com a excelente exploração de seu tema favorito: "Gozar! Gozar!".

A inimiga do demônio

No começo do mundo, logo após o pecado original, o Criador disse ao demônio, representado pela serpente: "Criarei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua e a sua posteridade. Ela pisará tua cabeça..." (Gn. III, 15).

Nesse momento precisou-se a missão que Deus reserva à Nossa Senhora. De fato, a Mãe de Jesus sempre lutou contra Satã. É, pois, natural que em nossa tão atribulada época Deus a tenha enviado à Fátima como embaixatriz, para esclarecer a humanidade enganada pelas mentiras de Satã. As aparições da Cova da Iria marcam o início de uma vigorosa contra-ofensiva.

Contra a propaganda satânica que prega o prazer e o pecado, Nossa Senhora opõe uma propaganda celeste a favor da penitência que leva à fidelidade a Deus. No dia 13 de outubro de 1917, ela declarava à Lúcia, Jacinta e a Francisco: "Vim para exortar os fiéis a mudarem de vida... e a fazerem penitência por seus pecados".

Convidando assim os fiéis à penitência, a Virgem Mãe nada anunciou de novo. Lembrou somente a um mundo ébrio de prazer, uma das leis fundamentais do Evangelho. Em muitos lugares, esquecia-se que, para ser católico, é preciso ser discípulo de Jesus, e de Jesus crucificado. Tentava-se conciliar o inconciliável, servir ao mesmo tempo a dois senhores. Jesus e Satã. Em Fátima, a Virgem veio repor em plena luz o ensinamento do Mestre infalível.

Pe. Marcel-Marie Desmarais, O. P.