Carta aberta ao Papa Francisco sobre sua Mensagem aos muçulmanos por ocasião do encerramento do Ramadã
Santíssimo Padre,
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo que Vos confiou a missão de conduzir a Igreja!
Permiti-me,
em nome de numerosas pessoas chocadas pela vossa carta aos muçulmanos
por ocasião do Id al-Fitr [1] e em virtude do cânon 212 § 3 [2],
comunicar-vos as reflexões desta Carta aberta.
Saudando com “um grande prazer” os muçulmanos por ocasião do ramadã,
o qual é considerado um tempo consagrado “ao jejum, à oração e à
esmola”, Vós pareceis ignorar que o jejum do ramadã é tal, que “a cesta
média de uma família que faz o ramadã aumenta 30%” [3], que a esmola
muçulmana se destina somente aos muçulmanos necessitados, e que a prece
muçulmana consiste principalmente em rejeitar cinco vezes por dia a Fé
na Trindade e em Jesus Cristo, a pedir o favor de não seguir o caminho
dos transviados que são os cristãos... Ademais, durante o ramadã, a
delinquência aumenta de modo vertiginoso [4]. Há realmente nessas
práticas algum motivo de elogio possível?

Vossa carta afirma que devemos ter estima pelos muçulmanos, e
“especialmente pelos seus chefes religiosos”, mas não dizeis a que
título. Uma vez que Vos dirigis a eles enquanto muçulmanos, segue-se daí
que essa estima se dirige também ao Islã. Ora, o que é para um cristão o
Islã que “nega o Pai e o Filho” (1 João 2.22), senão um dos mais
poderosos Anticristos, em número e em violência (Ap 20, 7-10)? Como se
pode ter ao mesmo tempo estima por Jesus Cristo e por aquele que se Lhe
opõe?
Vossa mensagem nota em seguida que “as dimensões da família e da
sociedade são particularmente importantes para os muçulmanos nesse
período” de ramadã, mas o que não está dito é que o ramadã serve de
formidável meio de condicionamento social, opressão e denúncia dos
insubmissos ao totalitarismo islâmico, em suma, da negação total do
respeito que Vós evocais... Assim, o artigo 222 do Código Penal
marroquino estipula: “Aquele que, notadamente conhecido por sua
pertencença à religião muçulmana, rompe ostensivamente o jejum num lugar
público durante o tempo do Ramadã, sem motivo admitido por esta
religião, é punido com a prisão de um a seis meses e a uma multa”. E
trata-se apenas do Marrocos...
Que “paralelos” Vós poderíeis encontrar entre “as dimensões da
família e da sociedade muçulmana” e “a fé e a prática cristãs” quando o
estatuto da família muçulmana inclui a poligamia (Corão 4.3 ;
33.49-52,59), o repúdio (Corão 2.230), a inferioridade ontológica e
jurídica da mulher (Corão 4.38; 2.282; 4.11), o dever do marido de bater
nela a seu bel-prazer (Corão 4.34), etc.? Que paralelo pode haver entre
a sociedade muçulmana, construída para a glória do Único, e que por
isso não pode tolerar a alteridade nem a liberdade, nem tampouco, em
consequência, distinguir os domínios religioso e espiritual – “Entre nós
e vós, são a inimizade e o ódio para sempre, até que creiais somente em
Alá!” (Corão, 60.4) – e a sociedade cristã que, porquanto construída
para a glória do Deus Uno e Trino, valoriza o respeito às legítimas
diferenças? Dever-se-ia então entender por “paralelo” não aquilo que se
assemelha e, portanto, converge para um ponto comum, mas aquilo que,
pelo contrário, nunca se reúne? Em tal caso, ajuda esse equívoco a
clareza de vossa declaração?
Vós propondes aos vossos interlocutores refletir sobre “a promoção
do respeito mútuo através da educação”, deixando crer que eles partilham
convosco dos mesmos valores humanitários de “respeito mútuo”. Mas tal
não é o caso. Para um muçulmano, não existe natureza humana à qual se
referir, nem bem conhecível pela razão: o homem e seu bem são somente
aquilo que o Corão afirma. Ora, ele ensina aos muçulmanos que os
cristãos principalmente, por serem cristãos, “não são senão impureza”
(Corão 9.28), os “piores da criação” (Corão 98.6), “mais vis que os
animais” (Corão 8.22; cf. 8.55) [5]...
Por acharem ser o Islã a verdadeira religião (Corão 2.208 ; 3.19,85)
que deve dominar todas as demais até erradicá-las completamente (Corão,
2.193), os não muçulmanos só podem ser perversos e malditos (Corão
3.10, 82, 110 ; 4.48, 56, 76, 91 ; 7.144 ; 9.17,34 ; 11.14 ; 13.15,33 ;
14.30 ; 16.28-9 ; 18.103-6 ; 21.98 ; 22.19-22,55; 25.21 ; 33.64 ; 40.63 ;
48.13), aos quais os muçulmanos devem combater sem cessar (Corão
61.4,10-2 ; 8.40 ; 2.193) pelo ardil, (Corão 3.54 ; 4.142 ; 8.30 ;
86.16), pelo terror (Corão 3.151 ; 8.12,60 ; 33.26 ; 59.2) e por todas
sorte de castigos (Corão 5.33 ; 8.65 ; 9.9,29,123 ; 25.77) como a
decapitação (Corão 8.12 ; 47.4) ou a crucifixão (Corão 5.33), com vistas
a eliminá-los (Corão 2.193 ; 8.39 ; 9.5,111,123 ; 47.4), e aniquilar
definitivamente (Corão 2.191 ; 4.89,91 ; 6.45; 9.5,30,36,73 ; 33.60-2 ;
66.9). “Ó vós que credes! Combatei até à morte os incrédulos que estão
perto de vós, e que eles encontrem em vós a rudeza...” (Corão 9.30 ; cf.
3.151 ; 4.48)…
Santíssimo Padre, ao se dirigir aos muçulmanos pode-se esquecer que eles
seriam incapazes de se aventurar fora do que está estipulado no Corão?
Vossos
apelos “a respeitar em cada pessoa, [...] primeiro sua vida, sua
integridade física, sua dignidade com os direitos que dela decorrem, sua
reputação, seu patrimônio, sua identidade étnica e cultural, suas
ideias e suas preferências políticas” não seriam capazes de suavizar as
imutáveis disposições dadas por Alá, algumas das quais acabo de
enumerar. Mas se é preciso respeitar de outrem “suas ideias e suas
preferências políticas”, como se opor então à lapidação, à amputação e a
toda sorte de outras práticas abomináveis ordenadas pela sharia?
Vosso arrazoado não pode comover os muçulmanos: eles não têm lições
para receber de nós, que não somos “senão impureza” (Corão 9.28). E se
eles Vos felicitam apesar disso, como o fizeram os da Itália, é porque a
política da Santa Sé serve enormemente aos seus interesses, por fazer a
religião deles passar como respeitável aos olhos do mundo, fazendo crer
que ela os leva a apreciar os valores universais que Vós preconizais...
Eles Vos felicitarão enquanto estiverem, como na Itália, em situação
minoritária. Mas quando não mais for assim, acontecerá o que sucede em
todos os lugares onde eles são majoritários: todo grupo não muçulmano
deve desaparecer (Corão 9.14; 47.4; 61.4; etc.), ou pagar a jyzaia para
adquirir o direito de sobreviver (Corão 9.29). Vós não podeis ignorá-lo;
mas, então, como podeis, ocultando isso aos olhos do mundo, favorecer a
expansão do Islã junto aos inocentes ou ingênuos assim enganados?
Considerais porventura os cumprimentos que Vos foram dirigidos como
penhor da fecundidade de vossa atitude? Vós ignoraríeis então o
princípio da takyia, que ordena a apertar a mão que o muçulmano não pode
cortar (Corão 3.28; 16.106).
Mas do que valem no fundo tais trocas de polidez? São Paulo não
dizia: “Se eu procurasse agradar aos homens, eu não seria mais o
servidor de Cristo” (Gal 1.10)? Jesus denunciou como malditos aqueles
que são objeto dos louvores de todos (Lc 6.26). Mas se até vossos
inimigos naturais Vos louvam, quem não Vos louvará? A missão da Igreja é
de ensinar as boas maneiras de se viver em sociedade? São João Batista
teria sido morto caso se contentasse em desejar uma bela festa a
Herodes? Dir-se-á talvez não existir comparação possível com Herodes,
porque este vivia no pecado e estava no dever de um profeta denunciar o
pecado. Mas se todo cristão se tornou um profeta no dia se seu batismo e
se o pecado é não crer em Jesus, Filho de Deus Salvador (Jo 16.9) – do
que se glorifica precisamente o Islã –, como poderia um cristão não
denunciar o pecado que é o Islã e apelar à conversão “em tempo e contra o
tempo” (2 Tim, 4.2)?
Uma vez que a razão de ser do Islã é substituir o Cristianismo – o
qual teria pervertido a revelação do puro monoteísmo pela fé na
Santíssima Trindade, de sorte que Jesus não seria Deus, não teria
morrido nem ressuscitado, não haveria Redenção e Sua obra seria assim
reduzida ao nada –, como não denunciar o Islã como sendo o Impostor
anunciado (Mt 24.4, 11, 24) e o predador por excelência da Igreja? Ao
invés de caçar o lobo, a diplomacia vaticana dá a impressão de preferir
alimentá-lo com suas lisonjas, não vendo que ele espera apenas crescer
suficientemente para fazer aquilo que faz em todos os lugares onde ele
se torna forte e vigoroso. Seria preciso lembrar o martírio vivido pelos
cristãos no Egito, no Paquistão e onde quer o Islã esteja no poder?
Como poderá a Santa Sé assumir a responsabilidade de afiançar o Islã
apresentando-o como um cordeiro quando ele é um lobo disfarçado de
ovelha? Em Akita, a Virgem Maria nos preveniu: “O demônio se introduzirá
na Igreja porque ela estará cheia daqueles que aceitam os
compromissos.”
Santíssimo Padre, como pode vossa carta afirmar que “principalmente
entre cristãos e muçulmanos, o que somos chamados a respeitar é a
religião do outro, seus ensinamentos, seus símbolos e seus valores”?
Como se pode respeitar o Islã, que blasfema continuamente contra a
Santíssima Trindade e Nosso Senhor Jesus Cristo, que acusa a Igreja de
ter falsificado o Evangelho e que procura suplantá-la (Apoc 12.4)?
Porventura não se comportaram como bons cristãos um Santo Irineu, que
escreveu Contra as heresias; um São João Damasceno que escreveu Das
heresias, onde ele ressalta “muitos absurdos tão risíveis relatados no
Corão”; um São Tomás de Aquino com sua Suma contra os Gentios, e todos
os Santos que se dedicaram a criticar as falsas religiões, para que Vós
condeneis hoje retrospectivamente sua ação, como também a de alguns
raros apologistas contemporâneos? Deveria ser excluído o tema religioso
do campo da cooperação entre a razão e a fé, tão encorajada por Bento
XVI?
Se o apelo formulado em vossa carta for seguido, Santo Padre, seria
então preciso, juntamente com a Organização da Cooperação Islâmica (OCI)
[6], pedir a condenação em todas as partes do mundo de qualquer crítica
ao Islã, e cooperar assim com a OCI para a disseminação deste – ele que
ensina, repito, que estando o Cristianismo corrompido, o Islã vem
substituí-lo... Por que querer amordaçar a apologética cristã, como
deseja a OCI?
É evidente que não se semeia entre espinhos (Mt 13.2-9), mas
começa-se por arrancá-los antes de semear. Por isso, não se pode
simplesmente anunciar a Boa Nova da salvação a uma alma muçulmana,
porque desde a mais tenra infância ela está vacinada, imunizada contra a
Fé cristã (Corão 5.72; 9.113; 98.6...) e coberta de preconceitos,
calúnias e toda sorte de falsidades a respeito do Cristianismo.
Portanto, cumpre necessariamente começar por criticar o Islã, “seus
ensinamentos, seus símbolos e seus valores”, para desmontar nessa alma
as falsas convicções que a tornam inimiga do Cristianismo. São Paulo
pede que se utilizem não apenas “as armas defensivas da justiça”, mas
também “as armas ofensivas” (2 Cor 6.7). Onde estão estas últimas na
vida da Igreja de hoje?
Oh, certamente, associar-se à alegria de uma simpática população
ignorante da Vontade de Deus e desejar-lhe um bom ramadã não parece ser
uma coisa má em si; era o que achava São Pedro quando foi legitimando os
costumes judeus... com medo já então dos protomuçulmanos, que eram os
judeus nazarenos! Mas São Paulo o corrigiu publicamente, mostrando-lhe
que havia coisa mais importante a fazer do que procurar agradar os
falsos irmãos (Gal 2.4, 11-14; 2 Cor 11.26; Corão 2.193; 60.4; etc.). Se
São Paulo teve razão, como negar que se deve criticar “a religião do
outro, seus ensinamentos, seus símbolos e seus valores”?
Evitando qualquer crítica ao Islã, vossa carta justifica
especialmente os bispos que vão colocar a primeira pedra das novas
mesquitas, o que também eles fazem por cortesia, com a intenção de
agradar a todo mundo e favorecer a paz civil. Quando amanhã seus fieis
se tornarem muçulmanos, estes últimos poderão dizer que o fizeram por
causa de seus bispos, que ao invés de os proteger lhes indicaram o
caminho da mesquita... E poderão também dizer a mesma coisa a respeito
da Santa Sé, porquanto ela lhes terá ensinado a não considerar o Islã
como ele é verdadeiramente, mas a honrá-lo como bom e respeitável em
si...
Vossa carta justifica vossos votos de boas-festas de ramadã,
afirmando: “É claro que, quando demonstramos respeito pela religião do
outro ou quando lhes oferecemos nossos votos por ocasião de uma festa
religiosa, nós procuramos simplesmente compartilhar sua alegria, sem que
se trate com isso de fazer referência ao conteúdo de suas convicções
religiosas.” – Como se alegrar com uma alegria que glorifica o Islã? A
atitude que Vós preconizais, Santíssimo Padre, está de acordo com o
mandamento de Jesus: “Que a vossa linguagem seja ‘Sim, sim’; Não, não’: o
que se disser a mais provém do maligno” (Mt 5.37)? E ainda que se
pudesse crer que desejando um bom ramadã não se peca – em razão de uma
restrição mental que pretende negar o vínculo entre o ramadã e o Islã, o
que mostra bem que tal comportamento é problemático –, está isso de
acordo com a caridade pastoral, segundo a qual um pastor deve se
preocupar pelo modo como seu gesto é interpretado pelos seus
interlocutores?
Com efeito, ao nos ouvirem lhes desejar um bom ramadã, o que poderão
pensar os muçulmanos? De duas uma: ou que somos uns idiotas
incompreensivelmente obtusos, malditos por certo por Alá, pelo fato de
não nos tornarmos muçulmanos – uma vez que nossos augúrios lhes dão a
entender que a religião deles não apenas é boa, pois capaz de lhes dar a
alegria que lhes desejamos, mas também superior ao Cristianismo, porque
posterior a este –, ou então que somos uns hipócritas que não ousamos
lhes dizer na face o que pensamos de sua religião, o que equivaleria a
reconhecer que temos medo deles e que eles já se tornaram nossos
senhores. Vendo-nos raciocinar como muçulmanos, poderão eles dar outra
interpretação ao nosso gesto?
Inúmeros muçulmanos já me comunicaram seu contentamento pelo fato de
Vós honrardes a religião deles. Como poderão eles se converter um dia
se a Igreja os encoraja a praticar o Islã? Como pensa a Santa Sé
anunciar-lhes a falsidade do Islã e o dever que eles têm de abandoná-lo
para se salvarem recebendo o santo Batismo? Não está ela favorecendo o
relativismo religioso – para o qual pouco importa o que diferencia as
religiões, porque o único que conta é a bondade do homem, que o salva
independente de sua religião?
Os primeiros cristãos se recusaram a participar das cerimônias civis
do Império Romano, que consistiam em fazer queimar um pouco de incenso
diante de uma estátua do imperador – rito, entretanto, louvável na
aparência, pois que supostamente favorecia a coexistência e a unidade
das populações tão diversas e das religiões tão numerosas do imenso
Império Romano. Os primeiros cristãos, para os quais a pregação do
senhorio único de Jesus era mais importante do que qualquer realidade
deste mundo, por mais que ela fosse da estima de seus concidadãos,
preferiam assinar com seu sangue a originalidade da mensagem cristã.
É bem verdade que nós amamos ao nosso próximo – quem quer que seja
ele, inclusive muçulmano – por ser membro da espécie humana como nós,
querido e amado por Deus desde toda a eternidade, resgatado pelo Sangue
do Cordeiro sem mancha. Jesus nos ensinou, porém, a negar todo vínculo
humano oposto ao Seu amor (Mt 12.46-50; 23.31; Lc 9.59-62; 14.26; Jo
10.34; 15; 25). Assim sendo, em nome de que fraternidade se poderia
chamar os muçulmanos de “nossos irmãos” (cf. vossa alocução de
29-03-2013)? Haveria, por acaso, uma fraternidade que transcenderia
todos os engajamentos humanos – inclusive a comunhão com Cristo,
rejeitada pelo Islã –, fraternidade essa que seria, em definitiva, a
única a ter importância? Não, a vontade de Deus, que é de crermos em
Cristo (Jo 6.29), faz com que “não conheçamos mais ninguém segundo a
carne” (2 Cor 5.16).
A diplomacia vaticana pensa porventura que silenciando sobre a
realidade do Islã ela poupará a vida dos infelizes cristãos nos países
muçulmanos? Não, o Islã continuará a persegui-los (Jo 16.2), quanto mais
ao perceber que ninguém se opõe aos seus desígnios e porque tal é a sua
razão de ser (Corão, 9.30). Não esperam esses cristãos – como todos os
demais cristãos – senão que Vós lhes recordeis que ser perseguido por
causa de Seu Nome (Mt 16.24; Mc 13.13; Jo 15.20) é a partilha de todo
discípulo de Cristo aqui na terra, e uma graça insigne digna de júbilo?
Jesus mandou nada temer dos tormentos da perseguição (Lc 12.4), e aos
nossos irmãos perseguidos por causa da Fé de se alegrarem pela oitava
Bem-aventurança (Mt 5.11-12).
Não é essa alegria o melhor testemunho a ser dado? Que outro melhor
serviço prestar aos militantes muçulmanos que não temem morrer – de tal
modo estão seguros de que vão gozar dos Houris que Alá lhes promete pelo
preço de seus crimes – do que lhes mostrar que os cristãos se ufanam em
dar suas vidas por puro amor de Deus e pela salvação de seu próximo?
Vossa carta evoca o testemunho de São Francisco, mas não diz que ele
enviou frades franciscanos para evangelizar os muçulmanos do Marrocos,
sabendo que os mesmos seriam ali muito provavelmente martirizados, como
de fato aconteceu, e que ele mesmo empreendeu a tarefa de evangelizar o
sultão Al Malik Al Kamil [7]. A verdadeira caridade denuncia a mentira e
convida à conversão.
Santíssimo Padre, nós temos dificuldade em encontrar na vossa
Mensagem aos muçulmanos o eco da caridade de São Paulo ordenando: “Não
vos atreleis de modo disparatado aos infiéis. Com efeito, que relação há
entre a justiça e a impiedade? Que união entre a luz e as trevas? Que
acordo entre Cristo e Belial? Que associação entre o fiel e o infiel?”
(2 Co 6.14-15); ou aquela do doce São João, de não acolher entre nós
quem quer rejeite a Fé católica, de nem sequer cumprimentá-lo, sob pena
de participar de “suas más obras” (2 Jo 7-11)... Saudar os muçulmanos
por ocasião do ramadã não é participar de suas más obras? Quem odeia
hoje até a sua túnica (Jud 23)? Por acaso, a doutrina dos Apóstolos não é
mais atual? [...].
Padre Guy Pagès
[1] http://www.vatican.va/holy_father/francesco/messages/pont-messages/2013/documents/papa-francesco_20130710_musulmani-ramadan_fr.html
[2] “Segundo o saber, a competência e o prestígio de que eles gozam,
eles têm o direito e mesmo às vezes o dever de dar aos Pastores sagrados
sua opinião sobre aquilo que diz respeito ao bem da Igreja e de fazê-la
conhecer aos outros fieis, ressalvadas a integridade da fé e dos
costumes e a reverência devida aos pastores, e tendo-se em conta a
utilidade comum e a dignidade das pessoas” (Cânon 212 § 3).
[3] http://www.leconomiste.com/article/897050-ramadan-dope-la-demande
[4] http://francaisdefrance.wordpress.com/2013/07/22/ratp-et-ramadan/
[5] “... ao mesmo título que o excremento, a urina, o cão e o vinho”,
precisa o aiatolá Khomeini, em Principes politiques, philosophique,
sociaux et religieux, Éditions Libres Hallier, Paris, 1979.
[6] http://ripostelaique.com/tandis-qualexandre-delvalle-denonce-loci-laurent-fabius-se-prosterne-devant-ses-representants.html
http://www.libertiesalliance.org/brusselsconference/icla-proceedings-brussels-2012/
[7] http://www.eleves.ens.fr/aumonerie/numeros_en_ligne/careme02/seneve008.html